Meirelles: Brasil sofre impacto da corrente de comércio

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez hoje um balanço dos efeitos da crise internacional no Brasil e das medidas já adotadas pelo BC para dar liquidez ao mercado. Segundo ele, no comércio exterior, o Brasil sofre com os reflexos da crise na corrente de comércio internacional e com a queda dos preços das commodities (matérias-primas). De acordo com Meirelles, a queda nas commodities significa uma redução no valor exportado pelo País, embora os preços ainda continuem num patamar superior aos praticados no passado. O presidente do BC disse que o reflexo mais grave no Brasil é escassez de financiamento em dólar, o que também leva à restrição de financiamentos em real. Ele lembrou que boa parte das exportações é financiada em dólar. Meirelles enumerou todas as medidas adotadas pelo BC nas últimas semanas para aumentar a liquidez do mercado. Citou os leilões de venda de dólar com recompra e o leilão de swap cambial de hoje, no valor aproximado de US$ 1,5 bilhão, o que, segundo ele, não afeta as reservas internacionais, por se tratar de uma operação no mercado futuro. Meirelles disse que o BC tem US$ 23 bilhões no mercado futuro e que esta é mais uma linha de proteção do País. O presidente do BC também citou as flexibilizações anunciadas para os depósitos compulsórios para dar liquidez ao mercado doméstico e ajudar os bancos menores. Segundo ele, a liberação de cerca de R$ 24 bilhões para compra de carteiras de bancos menores é "mais do que suficiente" para que os bancos maiores adquiram carteiras no mercado e dêem tranqüilidade aos bancos menores. Meirelles disse que, em momentos de crise como o atual, é normal que a liquidez vá para os bancos maiores. O presidente do BC afirmou que, além dessas medidas, outras poderão ser adotadas a qualquer momento. De acordo com ele, a grande vantagem do Brasil em ter constituído uma política conservadora e prudente é que, agora, tem recursos para enfrentar a crise com serenidade.

RENATA VERÍSSIMO, ADRIANA FERNANDES E FABIO GRANER, Agencia Estado

06 Outubro 2008 | 21h00

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