Meirelles confia que País ?andará com as próprias pernas? em 2005

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está confiante de que o Brasil poderá em 2005 andar com as próprias pernas, saindo do âmbito dos programas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao voltar para o País, após participar do seminário Dívida Soberana no Século XXI, promovido pelo Federal Reserve de Dallas, Meirelles disse estar confiante de que o novo acordo com o FMI, que se expira no final do ano que vem, será o último entre o Brasil e o Fundo. Meirelles citou três motivos pelos quais o Brasil decidiu ser mais favorável a assinar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional. Primeiro, o acordo atual com FMI dá o direito ao Brasil de sacar ainda US$ 8 bilhões. "Mas, em vez de sacá-los, decidimos incluir este valor em um novo acordo, com a quantia adicional de US$ 6 bilhões", explicou Meirelles. Para ele, sendo assim, o Brasil fica com um nível confortável de reservas internacionais brutas, que se aproxima de US$ 50 bilhões. Meirelles disse que o dinheiro com o novo acordo com o FMI servirá como seguro para o Brasil em caso de algum choque externo ou má volatilidade no mercado internacional. "É melhor do que ter que captar estes recursos no mercado, em caso de necessidade, pagando caro por isso", explicou.Rolagem da dívida e política econômica favorávelO segundo motivo para assinar o novo acordo, prosseguiu Meirelles, foi permitir ao Brasil rolar a parcela de vencimentos dos empréstimos com o Fundo. "Com isso, conseguimos estruturar um fluxo de caixa com o FMI mais adequado, porque casa bem com a nossa intenção de transformar este novo acordo no último com o FMI. Assim estamos preparando uma saída mais suave do Brasil com os programas do Fundo."O terceiro motivo, de acordo com Meirelles, foi o fato do FMI estar endossando e aprovando a política econômica adotada pelo governo Lula, uma vez que este é o primeiro acordo totalmente negociado pelo novo governo. "Os fundamentos e os indicadores macroeconômicos estão melhorando substancialmente, e esse endosso do FMI, com a assinatura do novo acordo, é uma boa maneira para o Brasil voltar ao mercado de uma forma melhor."

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