Meirelles dá sinais de Copom mais flexível

Sempre discreto e avesso a declarações que possam dar pistas das decisões futuras sobre a taxa básica de juros (Selic), o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, passou a semana passada indicando que, se não vai baixar, a tendência é de manter os juros nos atuais 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na terça e quarta-feira e as pistas de Meirelles foram dadas, até com certa insistência, ao longo da semana passada.Adotando um discurso menos independente do Planalto, Meirelles mostrou-se mais compreensivo com a influência da crise econômica global na decisão do Copom. Segunda-feira passada, depois de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em São Paulo, Meirelles disse que a decisão dos juros levaria "em conta todos os desenvolvimentos recentes do mercado".Ele também disse que a "pujança" da demanda interna vai continuar liderando o crescimento da economia. Essa pujança, acredita ele, deve amenizar os efeitos da recessão nos países ricos.É em nome da manutenção do mercado interno minimamente ativo que os empresários apostam em juros estáveis, pelo menos, a partir da próxima reunião do Copom. "As medidas que o BC vem tomando vão na direção da melhoria das condições de expansão do crédito e de liquidez na economia. A elevação dos juros viria em sentido contrário", disse o gerente de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.O empresário Antoninho Marmo Trevisan, que se reuniu com Lula na sexta-feira passada, no Planalto, também saiu do encontro certo de que a Selic ficará nos atuais 13,75%. "Nós defendemos que o momento é de redução de juros, falamos neste assunto várias vezes e ele (Lula) evitou dizer qualquer coisa. Quando insistimos que era hora de o Copom baixar os juros, já que o mundo todo está fazendo isso, o presidente só disse que agora o Guido e o Meirelles estão afinadíssimos e são uma dupla perfeita", contou Trevisan. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.