Meirelles: dado sobre emprego foi 'extraodinário'

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, classificou hoje de "extraordinária" a geração recorde de empregos formais registrada em agosto no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. "Este dado é da maior importância, mostra onde está de fato o resultado da política econômica para a população, cujo objetivo é a geração de empregos. O número de agosto do Caged é de fato extraordinário", afirmou o presidente do BC.

FABIO GRANER E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

17 de setembro de 2009 | 12h43

Em sua apresentação em audiência pública conjunta de diversas comissões do Congresso, Meirelles destacou que o Brasil nesta fase de saída da crise é um dos líderes em termos de crescimento econômico, atrás apenas de Coreia do Sul e da China, que está na frente desse processo. "O Brasil é um dos líderes da recuperação", afirmou. O presidente do BC também salientou o fato de o desemprego no Brasil estar nessa fase de saída da crise menor do que quando os problemas na economia mundial se agravaram. O presidente do BC afirmou ainda que a produção industrial já entrou em trajetória sólida de recuperação.

Poupança

Meirelles disse que uma mudança de regras nas cadernetas de poupança é necessária para se adequar à nova realidade econômica, com juros reais no menor patamar histórico - abaixo de 5% - e inflação controlada. Ele defendeu que a "queda dos juros gera a necessidade de ajustes na economia". Meirelles explicou aos parlamentares que a atual remuneração das cadernetas de poupança foi criada em um período distinto da economia brasileira, em que o País convivia com altos juros. "Essas regras mostravam que existia a necessidade de mecanismos de indexação. Isso refletia o patamar elevado do juro", diz. Agora, defende, é preciso mudar. "Em tempo de taxa alta, quem paga juro precisa gastar mais. Com taxa menor, a despesa é menor. Do outro lado, quem recebe juro, passa a receber menos juro".

Meirelles lembrou aos parlamentares que a decisão sobre as novas regras da poupança será tomada, em última instância, por deputados e senadores. "Se essa é a melhor opção? Essa é uma decisão dos senhores, do Congresso". Durante a sessão de perguntas, Meirelles respondeu a um dos parlamentares que a valorização do real segue a oscilação observada nas moedas de países que são grandes exportadores de commodities internacionais. Segundo o presidente do BC, o real tem movimento semelhante ao do dólar australiano e do dólar neozelandês. "O governo tem acompanhado essa questão da competitividade do exportador brasileiro para que ele não dependa apenas de uma moeda fragilizada para exportar", disse. Nesse sentido, o Brasil tem apoiado o comércio exterior em moedas locais, como o realizado com a Argentina, em que são usados apenas reais e pesos, sem dólares.

Sobre a questão fiscal, Meirelles repetiu o discurso tranquilizador de que as contas brasileiras estão em um rumo adequado e que a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB já está em patamar inferior ao observado no início da crise. Ele comparou com a situação norte-americana, que tinha dívida de 43,2% do PIB em 2007 e deve encerrar 2010 com 70,4%. "Isso mostra que as medidas tomadas pelo Brasil tiveram um custo de enfrentamento baixo porque as reações foram imediatas", diz.

Cartão de crédito

O presidente do Banco Central afirmou que em cerca de 30 dias o governo deve ter pronta as recomendações para o mercado de cartões de crédito. Há alguns meses, o BC, em parceria com os ministérios da Justiça e da Fazenda, realizou estudo sobre o setor e abriu uma consulta pública para que fossem encaminhadas sugestões de regulamentação do segmento - fase que se encerra neste mês.

De acordo com Meirelles, a área técnica do BC e dos ministérios está finalizando as recomendações a serem levadas à diretoria do BC e ao comando dos ministérios para que então o governo possa se posicionar. "Em cerca de 30 dias, podemos ter concluído essas recomendações", disse o presidente do BC, dizendo que parte dessas sugestões deverão ser encaminhadas para discussão no Congresso Nacional.

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