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Meirelles defende alteração na Previdência de trabalhadores na ativa

Ministro da Fazenda avalia que uma reforma que só valha para os futuros trabalhadores seria uma 'má solução' para a dívida pública

Eduardo Rodrigues, Adriana Fernandes e Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2016 | 12h15

BRASÍLIA - Apesar das centrais sindicais rechaçarem qualquer alteração no regime da Previdência Social que afete as pessoas que já estão no mercado, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avaliou hoje que uma reforma que só valha para os futuros trabalhadores seria uma "má solução" para a dívida pública brasileira. Ele aproveitou para já avisar que, se não houver um acordo que permita mudar as regras para quem já contribui para a Previdência, outras despesas públicas terão que ser cortadas.

"Se o regime de Previdência for alterado apenas para quem não entrou ainda no mercado de trabalho, ótimo, muito bom. Por outro lado, isso só vai fazer efeito num prazo muito longo. Para a dívida pública é uma má solução", argumentou, em entrevista concedida a um grupo de jornalistas nesta manhã. "Se não for isso, temos que discutir quais outras despesas públicas terão que ser cortadas nos próximos anos", completou.

Ainda assim, Meirelles evitou classificar como "inegociáveis" pontos da proposta em estudo pelo governo. Mas admitiu que a fixação de uma idade mínima para a aposentadoria - já exposta por ele desde o dia em que assumiu o cargo - é um dos fatores que têm "mais peso" na modelagem que está sendo feita. O ministro repetiu, no entanto, que a idade em estudo e a regra de transição para a adoção do novo critério ainda precisão ser discutidas.

O ministro enfatizou durante toda a entrevista a necessidade de expor à sociedade a realidade das contas públicas brasileiras, mostrando que a atual trajetória de despesas do governo não é sustentável ao longo do tempo. "Ninguém aqui quer fazer isso ou aquilo, ninguém quer tomar uma medida em detrimento desse grupo ou outro. Queremos garantir a aposentadoria dos trabalhadores e a solvência do Tesouro Nacional", reforçou.

Embora o governo do presidente em exercício, Michel Temer, conte com uma ampla base de apoio parlamentar, Meirelles sabe que qualquer alteração na Providência Social demandará um grande esforço de negociação com o Congresso Nacional e a sociedade. Por isso, a Fazenda lidera uma comissão com representantes de ministérios e centrais sindicais para que uma proposta seja apresentada em 30 dias. Mesmo com as fortes críticas de representantes dos sindicatos contra a reforma após a primeira reunião com a equipe econômica, o ministro classificou as reações como "normais e legítimas".

"As pessoas dizem que um mês (para a apresentar a proposta) é muito tempo, mas uma Reforma da Previdência feita em uma semana seria uma coisa mal feita que não seria aprovada e nem iria funcionar. Trata-se de um trabalho técnico, mas ao mesmo tempo político e social. A sociedade tem que ser convencida do que é preciso fazer. Isso tem que ser bem feito e bem comunicado", acrescentou.

O escolhido para comandar a Secretaria de Previdência do ministério, Marcelo Caetano, só retorna ao Brasil na próxima sexta-feira (18) e, segundo Meirelles, começa a trabalhar a questão no sábado. Sua missão será consolidar os trabalhos feitos pelas equipes técnicas do governo. "A ideia foi colocar profissionais experientes em cada área para que já entrem jogando, não precisem tentar entender o que está acontecendo. Caetanos já conhece as pessoas e a situação, já está com tudo mapeado", completou. 

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