Meirelles defende controle de gastos públicos e inflação baixa

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, participou hoje da reunião conjunta de seis comissões da Câmara para apresentar, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal, um balanço das atividades do primeiro semestre do Banco Central. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, chega ao Congresso, onde participa hoje de audiência pública nas comissões de Desenvolvimento Econômico, Fiscalização Financeira e Finanças e TributaçãoDurante sua exposição, Meirelles avaliou que o aumento do superávit primário (arrecadação menos despesas, exceto o pagamento de juros) é o caminho para a redução da dívida. Ou seja, reduzindo os gastos públicos, o governo poderia economizar mais e melhorar a relação entre a dívida e o PIB do País. Contudo, Meirelles destacou que o BC não tem o poder de tomar decisões nesse assunto, apenas analisar os custos e benefícios das decisões da política fiscal.Meirelles reafirmou a meta de inflação para este ano, em 5,1%, e destacou que a política monetária tem sido eficiente no controle de preços. Segundo ele, juros mais altos têm impacto no volume da dívida pública no curto prazo. Mas, à medida que é bem sucedida - diga-se, inflação sob controle - aumentam as chances de um "crescimento de longo prazo maior".Veja abaixo os principais pontos da exposição de Meirelles:Superávit primário - Em resposta às críticas de parlamentares, Meirelles disse que o superávit primário é o caminho para a redução da dívida. Ou seja, reduzindo os gastos públicos, o governo poderia economizar mais e melhorar a relação entre a dívida e o PIB do País. Inflação - A meta de 5,1% para este ano está mantida. Em 2006, o BC terá como alvo uma meta de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.Política monetária - o controle de inflação, por meio da política de juros, tem efeito sobre o volume da dívida no curto prazo. Porém, à medida que ela é bem sucedida, tem impactos fiscais positivos indiretos e há uma melhora a avaliação dos títulos públicos brasileiros. O País consegue crescer de forma equilibrada.Crescimento - o Brasil vem trabalhando com objetivo de evitar grandes oscilações na sua taxa de crescimento. Meirelles lembrou que a economia brasileira vem apresentando crescimento positivo por oito trimestres seguidos e disse que a expectativa do mercado é que esse crescimento seja mantido também no terceiro trimestre deste ano. Caso isso ocorra, o Brasil terá tido nove trimestres consecutivos de crescimento positivo, o que representa um período superior a dois anos.Reservas internacionais - o nível adequado de reservas é definido com critérios diferentes, tendo em vista as condições da economia e as características macroeconômicas de cada país. No caso do Brasil, ele disse que esse limite ainda não foi alcançado.Contas do BC - A situação contábil da instituição é melhor devido à redução das dívidas em dólar, favorecida pelo aumento da credibilidade no País.Crédito no Brasil - o volume de crédito do Brasil se aproximou da marca dos 28% do PIB durante o primeiro semestre deste ano. Ele lembrou que no início de 2003 esse porcentual ainda estava abaixo de 24% do PIB. Apesar do aumento, Meirelles comentou que o porcentual de crédito em relação ao PIB ainda é pequeno em relação ao que é praticado em outros países. Durante sua apresentação, o presidente do BC destacou que o Banco não tem metas formais para o crédito. O objetivo, segundo ele, é apenas ampliar a oferta e o acesso da população ao crédito. Banco Santos - não houve nenhum aporte de recursos públicos no caso da intervenção do Banco Santos.Ele lembrou que em situações anteriores, o governo teve que aportar recursos públicos na solução de problemas de instituições financeiras por meio do Proer.Greve no BC - Meirelles prometeu receber, na próxima terça-feira, representantes dos funcionários do BC que estão em greve há 17 dias, reivindicando 57% de reposição salarial.

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