Meirelles defende estratégia do BC de reservas elevadas

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, voltou a defender a estratégia adotada pela instituição no período anterior e posterior à crise financeira. Em uma crítica aos que questionavam as ações do BC, Meirelles disse que o custo de se manter reservas altas, por exemplo, é muito inferior ao eventual preço que deve ser pago pelos países que foram mais duramente atingidos pela crise financeira.

FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

17 de setembro de 2009 | 17h27

"Muita gente me pergunta por que o Banco Central não é mais ousado. Eles pedem para que a gente corra algum risco. Então, pergunto: mas e se der errado? O custo terá de ser pago por toda a sociedade", disse Meirelles, durante palestra no XII Congresso Brasiliense de Direito Constitucional na capital federal.

O presidente do BC deu como exemplo a estratégia de acúmulo de reservas. Durante os meses anteriores à crise, alguns economistas questionavam duramente o alto custo de se manter reservas em patamares, na época, próximos a US$ 200 bilhões. "Muita gente diz que o BC é muito conservador. Isso quer dizer que a gente não se arrisca. E nos perguntavam por que acumular tantas reservas", exemplificou.

Para Meirelles, os desdobramentos da crise após setembro de 2008 foram a prova de que o Brasil estava correto. "O fato de ser prudente permitiu que o Brasil enfrentasse a situação", cita, ao lembrar das reservas internacionais e da política macroeconômica adequada. "O custo disso pode até ser alto, mas é muito mais caro entrar na crise".

Juros

O presidente do BC comemorou o fato de que o Brasil conseguiu reduzir juros em meio à crise pela primeira vez na história. Ele argumentou que a economia brasileira entrou no período mais agudo da crise com bons fundamentos, o que permitiu à autoridade monetária adotar o remédio adequado: o corte dos juros.

"O Banco Central pode baixar os juros para ajudar a economia. Foi a primeira vez em que o País conseguiu enfrentar a crise com os remédios adequados", comemorou Meirelles. Entre os aspectos citados pelo presidente do BC como fatores que permitiram ao Brasil enfrentar adequadamente a crise, as reservas internacionais foram o aspecto mais ressaltado.

Respeito às instituições

A uma plateia de juristas, advogados e estudantes de direito, Meirelles disse ainda que o respeito às instituições deve ser uma das principais bandeiras do mundo jurídico no Brasil. Ele afirmou que a institucionalização pode colaborar para alavancar a economia e, assim, melhorar a vida das pessoas.

"A institucionalização dá previsibilidade, dá segurança de emprego para as pessoas, dá confiança para o empresário investir", defendeu Meirelles. Ele deu como exemplo o quadro observado até alguns anos atrás, quando empresas multinacionais tinham resistência em investir no Brasil por considerar elevado o risco da economia nacional. "As empresas avaliavam que o retorno no Brasil era muito baixo".

Para Meirelles, o respeito às instituições permite, em última instância, reduzir até a pobreza. "A economia previsível permite o aumento do crédito, que permite o aumento da demanda, o aumento da renda e, por consequência, do padrão de vida". "Além disso, é preciso continuar com a política macroeconômica sem excesso de ousadia", completou.

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