WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Meirelles cogita tributo temporário e defende idade mínima para aposentadoria

Ministro da Fazenda disse que a prioridade do momento é o equilíbrio fiscal; nomeação de equipe e presidentes do Banco Central e bancos públicos fica para segunda-feira, 16

O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2016 | 08h47
Atualizado 13 de maio de 2016 | 17h05

BRASÍLIA - O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta sexta-feira, 13, em sua primeira entrevista coletiva à frente da Pasta, que a prioridade do momento é o equilíbrio fiscal para estabilizar o crescimento da dívida pública. Ele afirmou ter pressa para conhecer a situação dos contas do País. "Eu sou o primeiro que estou muito interessado em saber, estou muito preocupado com isso", disse. Ao ser questionado sobre a recriação da CPMF, Meirelles ponderou que a carga tributária do Brasil já é elevada, mas não descartou um "tributo temporário".

Meirelles evitou detalhar qualquer medida, frisou que o governo está começando hoje e é preciso analisar cada questão. "Estamos iniciando um programa de trabalho intenso. A ideia é, no devido tempo, anunciar as medidas que serão tomadas", afirmou.

Ele afirmou que a sociedade está preparada para ouvir uma avaliação "realista e honesta" do cenário com o que é necessário para a retomada do emprego e da renda. Meirelles avaliou ainda que o Congresso reflete a sociedade brasileira e analisa que a sociedade está amadurecida para medidas de ajuste importante. "O que não é possível, é continuar como está", frisou. 

O ministro também citou a necessidade de reformar as regras da Previdência. "A reforma da Previdência é uma necessidade. A Previdência tem que ser autossustentável ao longo do tempo", disse. Mais cedo, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, ele havia defendido uma idade mínima para as aposentadorias.

Ele informou que vai anunciar na segunda-feira, 16, os nomes de sua equipe, bem como os presidente do Banco Central e dos bancos públicos. Meirelles evitou dizer se Alexandre Tombini continuará à frente do BC ou se haverá uma troca. Fontes dão como certa a nomeação de  Ilan Goldfjan, economista-chefe do Itaú Unibanco, para o cargo. Meirelles definiu apenas um cargo: Tarcísio Godoy, que vai assumir a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda.

Sobre os bancos públicos, o ministro da Fazenda disse ainda que a escolha dos executivos vai respeitar um critério técnico e ele terá a palavra final sobre os nomes. "É importante esclarecer que a política de uso do banco público deve obedecer sua finalidade, que é emprestar e transformar poupança em investimento."

Embora ainda não haja um anúncio oficial, a escolha de Gilberto Occhi para a presidência da Caixa - em substituição a Miriam Belchior - é praticamente uma certeza no grupo que assessora Temer. Funcionário de carreira do banco, Occhi, nome sugerido pelo PP, conheceria todos os trâmites da instituição. 

Contas públicas. Mais cedo, em entrevista à TV Globo, Meirelles havia informado que a primeira medida econômica da sua gestão será implementar um sistema de controle dos gastos que impeça o crescimento real (acima da inflação) das despesas públicas. Ele classificou esse sistema de "nominalismo". Ele defendeu o corte de gastos e o fim dos privilégios com recursos públicos.

Meirelles admitiu que o rombo nas contas públicas em 2016 será maior do que o déficit de R$ 96,6 bilhões previsto pela equipe econômica de Dilma Rousseff, mas ponderou que o quadro atual exige transparência em relação aos números do governo. "O mais importante para o Brasil é de que comecemos a dizer a verdade e a ser claros. Temos que mostrar o que está acontecendo", afirmou Meirelles, que apesar do quadro de dificuldade procurou transmitir confiança na economia.

O ministro reconheceu que o déficit de R$ 96,6 bilhões previsto para esse ano é "elevadíssimo", mas que tudo indica o número é maior do que esse. "É importante que se estabeleça uma meta que seja realista, cumprida e que depois sirva de base para a melhora das contas públicas", ponderou. Segundo ele, esse movimento é importante para que as despesas sejam de fato cortadas e racionalizadas. "Para que, a partir daí, a trajetória da dívida pública comece a ter um outro nível de direção", explicou.

Meirelles disse ainda que vai implementar uma estratégia que seja de fato realista, seguida e eficaz para reverter a trajetória de alta da dívida pública. "Ele não pode continuar crescendo. E vamos ter que cortar despesas", adiantou.

(Adriana Fernandes, Eduardo Rodrigues, Hugo Passarelli, Raquel Brandão, Murilo Rodrigues Alves e Rachel Gamarski)

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