Meirelles defende política econômica, mas não comenta Copom

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que o Brasil entrou em "um ciclo de fortalecimento da economia" e que "a crise política que atravessa o Brasil é um bom teste da política econômica adotada pelo País". Meirelles participou de uma reunião no Banco de Compensações Internacionais (BIS) na Basiléia. Para ele, "o embate entre a crise política e a economia mostrou que a economia está forte, menos vulnerável e ancorada em fundamentos sólidos". "Outros bancos centrais do mundo concordam com essa avaliação e que temos de continuar com essa política", afirmou Meirelles. Às vésperas da reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), que reavalia mensalmente a taxa básica de juros no País (Selic), o presidente do BC deixou o encontro se recusando a fazer comentários aos jornalistas sobre taxas de juros, inflação e nem mesmo sobre os recentes números que mostram uma queda da produtividade industrial do País. A saia-justa de Meirelles para falar sobre a situação no Brasil antes da reunião do Copom é tão pronunciada que o presidente do BC afirma que está em negociações com o BIS para que as reuniões bimestrais dos maiores bancos centrais do mundo não coincidam em 2006 com as semanas de reuniões do Copom. "Não posso falar sobre o cenário, senão estaria antecipando o Copom", disse. Pontos de preocupação A alta do preço de petróleo coloca a comunidade financeira em estado de alerta. Durante a reunião do Banco de Compensações International (BIS) na Basiléia, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean Claude Trichet, avaliou que o crescimento da economia mundial em 2005 e 2006 poderá ser afetado. "É uma questão matemática", disse Trichet, que atua como porta-voz do G-10, grupo dos dez maiores BCs do mundo. Segundo ele, se essa condição for mantida, haverá um menor dinamismo no desempenho do PIB mundial e uma maior inflação. Trichet já fez no BCE uma revisão para baixo das expectativas de crescimento para a Europa para esse ano e o próximo e o motivo foi o petróleo. Outro fator de preocupação no cenário international é o fato de que as baixas taxas de juros no mundo não estão gerando investimentos produtivos em volumes satisfatórios. Esse fenômeno seria explicado pela abundância de poupança nas economias emergentes, principalmente na Ásia. "É um consenso a avaliação de que a produtividade em todos os setores é tímida, inclusive por causa do sentimento de que as empresas precisam de liquidez contra choques", concluiu Trichet.

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