Meirelles: déficit em conta corrente não será surpresa

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse hoje que não será surpresa para ninguém se, por um certo período, deixar de existir superávit em conta corrente. "Isso será natural e o superávit foi importante na época do ajuste, permitindo até acumulação de reservas internacionais", comentou durante o seminário "Reavaliação do risco Brasil", organizado pelo centro de economia mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Ele salientou que a acumulação de reservas tem custo, sim, mas também traz um duplo ganho para o País, já que funciona como um seguro que não apenas paga o sinistro no caso de uma dificuldade mas também porque o evita.Um dos pontos positivos salientados pelo presidente do BC sobre a economia brasileira é a de que, no passado, era necessário somar três anos de volume de exportação para pagar a dívida líquida externa total. "Hoje, estamos próximos a zero", comentou. Sobre as críticas feitas no passado de que o Banco Central poderia ter sido mais ousado para promover o crescimento do País, Meirelles disse que a leitura que faz de ousadia é a de procurar manter a inflação na meta. Para ele, o crescimento do País no próximo ano continuará a ser sustentado porque a demanda interna e o crédito continuarão a crescer, bem como as importações.Sobre a expansão da bancarização e do crédito, o presidente do BC enumerou o desempenho positivo do crédito consignado, de veículos e do crédito ao consumidor. "O crédito consignado tem um limitador natural, que é o porcentual de salário. Estamos monitorando isso com muita atenção e, se houvesse uma preocupação, não hesitaríamos em fazer alocação de capital", afirmou.

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