Meirelles descarta controle de tarifas e corte de CPMF

Meirelles também mostrou que o grau de concentração bancária não tem necessariamente relação direta com os níveis elevados de juros bancários

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h47

O controle das tarifas bancárias não é responsabilidade do Banco Central. Esta foi a resposta do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, aos questionamentos sobre o nível elevado das tarifas bancárias, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ele também descartou o corte da Contribuição provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), pois, segundo ele, apesar de ter algumas desvantagens, ela é necessária para o equilíbrio fiscal do setor público. Meirelles observou que as discussões sobre a eliminação de um determinado imposto é um desafio complexo porque pressupõe a substituição por outro ou a eliminação de gastos.Para o presidente do BC, a economia brasileira vive hoje um grau de estabilidade tal que permite que o País faça uma discussão sobre como ampliar a eficiência do sistema de arrecadação dos impostos, um tema da reforma tributária, que envolve estado e municípios.Concentração bancáriaMeirelles tentou mostrar que o grau de concentração bancária não tem necessariamente relação direta com os níveis elevados de spreads bancários (diferença entre o custo de captação dos recursos pelo banco e a taxa de juros cobrada em empréstimos) praticados no Brasil. Ele confirmou que, atualmente, os três maiores bancos nacionais possuem 45% dos ativos do sistema financeiro, mas destacou que há outros países em que a concentração bancária é muito maior. Na Suécia, por exemplo, os três maiores bancos detêm 95% do mercado. Em Portugal, este índice é de 90%. Na Suíça, de 88%; na África do Sul, de 76%, e na Alemanha, de 65%. E Meirelles citou ainda mais cinco países com concentração bancária superior à brasileira. Meirelles afirmou também que a inadimplência é uma componente importante do spread bancário. E este, segundo ele, é um dos motivos para o alto juro ao consumidor no Brasil.

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