Meirelles destaca atuação com autonomia operacional do BC

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, reforçou hoje a autonomia do BC em resposta ao questionamento sobre possíveis críticas por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou de outros membros do governo em relação à elevação de 0,50 ponto porcentual da Selic, a taxa básica de juros da economia, decidida na quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom)."Temos dito em diversas oportunidades, inclusive o ministro Palocci disse isso ontem, que o Banco Central funciona com completa autonomia operacional concedida pelo presidente (Lula) desde o início do seu mandato e isto prossegue normalmente". Meirelles participou hoje de apresentação a estudantes na Harvard Business School, na qual fez uma avaliação da economia brasileira desde a década de 70. Em sua palestra, Meirelles disse ter traçado um panorama em que mostrou porque a economia brasileira sempre apresentou, durante as duas últimas décadas, sistemas de arrancadas e freadas e porque isto hoje está diferente, com o Brasil numa "rota de crescimento sustentado"."Enfatizei a questão do equilíbrio fiscal e do superávit primário como uma âncora importante deste processo de sustentabilidade do crescimento. Também mencionei a estabilidade monetária e de preços nos termos definidos pelo Conselho Monetário Nacional", explicou Meirelles.Vulnerabilidade externaMeirelles também mencionou na palestra o ajuste externo pelo qual o País passou, o qual permitiu reverter o saldo negativo de suas contas, passando então a registrar superávit - diferença ´positiva entre o que o governo arrecada e os seus gastos, exceto os juros.Muitas das crises que o Brasil enfrentou, segundo o presidente do BC, foram em função da vulnerabilidade externa, a qual era provocada, em grande parte, pelo saldo negativo das contas do país (quando um país precisa de recursos estrangeiros para fechar seus pagamentos, regra geral, ele fica suscetível às crises externas, a chamada vulnerabilidade externa). "Hoje, com o Brasil tendo saldos em contas correntes e indicadores externos melhorando, isto tem permitido melhorar muito todos os índices da economia brasileira, não somente o crescimento, mas também indicadores que medem a vulnerabilidade externa", declarou. Segundo Meirelles, com a queda da vulnerabilidade, "o Brasil pode entrar pela primeira vez numa rota de crescimento sustentado".

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