DANIEL TEIXEIRA | ESTADAO CONTEUDO
DANIEL TEIXEIRA | ESTADAO CONTEUDO

Meirelles deve anunciar hoje primeiras medidas

Também serão definidos os nomes para a equipe do Ministério da Fazenda, que deve contar com os economistas Mansueto Almeida e Marcos Mendes

Adriana Fernandes, Murilo Rodrigues Alves e Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2016 | 06h02

BRASÍLIA - O time que Henrique Meirelles formará no Ministério da Fazenda vai trazer de volta antigos integrantes da equipe econômica, como Tarcísio Godoy, que fez parte da gestão de Joaquim Levy, e Carlos Hamilton de Araújo, ex-diretor do Banco Central. Mas também vai incorporar novatos na função, como o economista Mansueto Almeida, um dos principais críticos da política econômica petista, e o consultor legislativo do Senado Marcos Mendes, que elaborou alguns dos estudos mais completos sobre as irregularidades das chamadas “pedaladas fiscais”. Assim ficaram conhecidas as manobras de postergação de pagamentos da União aos bancos públicos para bancar subsídios, uma das principais acusações contra a gestão da presidente afastada Dilma Rousseff.

Após ser empossado ontem, Meirelles foi direto para o Ministério da Fazenda. Nelson Barbosa já não estava mais lá – o secretário executivo Dyogo Oliveira fez a transição. Funcionário de carreira do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), Oliveira, um dos principais formuladores econômicos e também o principal negociador da dívida dos Estados na Fazenda, já havia assessorado Barbosa na secretaria executiva do Planejamento. Voltará à Pasta e ao antigo cargo, sob o comando do peemedebista Romero Jucá.

A interlocutores, Meirelles disse que ainda está definindo “as caixinhas do time”. Funcionário de carreira do Tesouro Nacional, Godoy será o novo secretário executivo do Ministério da Fazenda, segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Hamilton será o secretário de Política Econômica. Mendes, consultor legislativo do Senado, deverá ocupar uma assessoria especial e Jorge Rachid pode permanecer no comando da Receita Federal. Ontem, em breves declarações durante a posse, Meirelles confirmou que apresentará as novas medidas econômicas, mas não as detalhou. “Já começo a trabalhar hoje”, desconversou.

Mercado. As escolhas de Meirelles, que foram sendo vazadas durante o dia, pareceram agradar ao mercado financeiro, refletindo-se em queda nas apostas para a taxa de juros. A Bolsa seguiu em alta durante todo o dia, com investidores dando um voto de confiança ao presidente em exercício Michel Temer.

Dyogo Oliveira, que compareceu à despedida de Dilma no Planalto, ao lado de Barbosa, afirmou que, agora, a tendência é que a relação com o Legislativo mude. “Declarações de parlamentares vão na linha de que agora o Congresso tem de dar mais apoio pra economia”, disse. O primeiro passo será a aprovação do projeto de lei que altera a meta fiscal para este ano.

Enquanto a nova equipe não toma posse, o Ministério da Fazenda passou o dia em compasso de espera, com os trabalhos “em marcha lenta”, à espera do quarto ministro em dois anos.

Marcos Mendes, que comporá a equipe de Meirelles, tem largo conhecimento sobre política fiscal e foi um dos primeiros observadores críticos das manobras contábeis feitas pela equipe de Guido Mantega na Fazenda. Ultimamente tem trabalhado em propostas que tratam do relacionamento do Tesouro com o Banco Central e sobre as operações compromissadas de administração da liquidez do mercado financeiro.

Já Mansueto é um dos maiores críticos do agigantamento do BNDES e da política de crédito baseada na criação dos chamados “campeões nacionais”, como chegaram a ser denominadas as empresas que cresceram exponencialmente nos últimos anos. / COLABORARAM FABRÍCIO DE OLIVEIRA, VICTOR MARTINS, EDUARDO RODRIGUES E ANDRÉ BORGES

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.