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Meirelles deve ficar no BC, diz Senna

Para ex-diretor do BC, Meirelles ajuda a estabilizar a economia, mesmo se estiver filiado a um partido político

Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

22 de agosto de 2009 | 00h00

O ex-diretor do Banco Central (BC) José Júlio Senna afirmou à Agência Estado que será melhor para a economia do País que o presidente do BC, Henrique Meirelles, permaneça no cargo mesmo que se filie a um partido político até 3 de outubro. Com a filiação, Meirelles poderia concorrer a um cargo público no próximo ano, que pode ser o de governador de Goiás."Em tese, seria melhor não ter filiação partidária. Mas ele já mostrou desde 2003, quando passou a dirigir o BC, que está executando suas funções com correção e eficiência. E isso não vai mudar pelo fato de estar ligado a um partido", comentou. "Há muitos desafios pela frente e seria melhor que Meirelles continuasse no cargo até quando tomasse uma decisão definitiva sobre seu futuro, o que poderá ocorrer em março. Entretanto, ele pode definir lá na frente que não vai concorrer a nada e ficar no BC até o encerramento da atual administração."Ele ressalta que o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, é filiado ao Partido Republicano e nem por isso a sua independência, elevada reputação de economista e isenção são questionadas. Ele destaca um fator que blinda a gestão da política monetária no Brasil de pressões políticas: as decisões relativas à trajetória da Selic - taxa básica de juros - são definidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que é um colegiado de dirigentes do BC, cuja organização institucional evita que as decisões sejam adotadas de forma personalista. Para Senna, a presença de Meirelles no cargo continua essencial porque há uma possibilidade pequena, mas significativa, que a recuperação da economia mundial não seja definitiva. "Ninguém neste planeta tem certeza que a crise global acabou de vez", comentou. Segundo ele, indicadores em vários países apresentam sinais de melhora. Mas podem ser registrados dois trimestres de evolução do nível de atividade internacional e depois pode ocorrer um novo mergulho, o que caracterizaria um movimento econômico no formato de W. "Caso apareçam novas dificuldades no futuro próximo, a experiência do presidente do BC será fundamental para tomar medidas que protejam o País ao máximo, como ocorreu recentemente", disse. Entre as ações adotadas pelo BC para mitigar os efeitos da contração do crédito sobre o Brasil, destacam-se a liberação de R$ 100 bilhões de depósitos compulsórios para melhorar a liquidez do sistema financeiro, a redução da Selic de 13,75% em janeiro para 8,75% e o financiamento de empresas com dívidas no exterior com recursos das reservas cambiais. Para Senna, outro elemento que pode tornar a permanência de Meirelles indispensável na presidência do BC nos próximos meses é um eventual aumento da temperatura no embate político entre candidatos à sucessão presidencial. "Pode ser que surja alguém com um programa econômico absurdo, que defenda o fim dos elementos que viabilizaram a estabilidade dos preços e crescimento do País", comentou, referindo-se ao tripé formado pelo sistema de metas de inflação, câmbio flutuante e dívida pública declinante em relação ao PIB.

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