EFE/Laurent Gillieron
EFE/Laurent Gillieron

Meirelles diz a prefeitos para esperarem aumento da arrecadação

Ministro, que tem reforçado o foco social em seus discursos, aproveitou para afirmar que o Brasil 'está entrando em uma nova fase, de preocupação e demanda da população por melhor uso do recurso público'

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2018 | 23h59

BRASÍLIA - Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou na noite desta terça-feira, 27, que os prefeitos podem esperar um aumento em suas arrecadações em 2018 diante da recuperação da economia. Apesar do anúncio favorável e positivo, a declaração do ministro foi recebida por uma plateia esvaziada de prefeitos. Apesar dos 5,5 mil potenciais convidados para ouvi-lo no evento "Prefeitos do Futuro", Meirelles contou com menos de 50 ouvintes no salão de um centro de convenções em Brasília.

A palestra, programada para as 20h, começou efetivamente às 20h30. Mas antes disso, às 19h15, o evento já estava esvaziado, apesar do anúncio da vinda de dois ministros de Estado - além de Meirelles, também compareceu o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab. Para tentar impedir maior debandada, o mestre de cerimônias começou a interagir com os prefeitos ainda presentes.

Ao chegar, Meirelles anunciou que falaria sobre a gestão. Disse que o "segredo" para qualquer administração pública é diagnosticar a razão do problema ou do sucesso, e tentou mostrar que o governo atual é um case do segundo grupo.

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"O problema do Brasil tinha sido o crescimento acelerado do gasto público, que levou a queda na confiança, nos investimentos e na atividade. Isso levou o Brasil a situação dramática. Mas endereçamos exatamente a raiz da crise", disse Meirelles, que falou em pé, de um púlpito, com uma plateia em círculo em frente ao palco.

O ministro, que tem reforçado o foco social em seus discursos, disse que o Brasil "está entrando em uma nova fase, de preocupação e demanda da população por melhor uso do recurso público". E emendou dizendo que a "direção correta" tomada pelo atual governo mudou o quadro de inflação e desemprego elevados.

"No momento em que o País cresce, aumenta emprego. Com inflação baixa, aumenta o poder de compra. Isso gera um círculo virtuoso", afirmou. "No momento em que País começa a crescer, aumenta a arrecadação, são mais recursos para educação, saúde e segurança, no momento em que há essa crise de segurança", acrescentou, focando em outro tema que deve ser relevante durante a campanha eleitoral. Para isso, ele defendeu a intervenção na segurança do Rio como "absolutamente necessária e inevitável" diante da "crise inaceitável".

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Meirelles ainda comemorou o fato de que o País deve crescer 3% neste ano e acima de 2,5% nos próximos. Nessa esteira, disse aos prefeitos para esperarem aumento da arrecadação. "O País está crescendo e as pessoas vão estar cada vez mais empregadas", avisou. "O Brasil hoje está otimista, saímos daquela grande recessão que causava desânimo."

Ele disse ainda que, mesmo com o momento "conturbado" vivido pelo País, há um processo de fortalecimento das instituições. 

Avaliação. O ministro também disse não ter "muita preocupação" com as agências de classificação de risco no curto prazo. O mais importante, segundo ele, é "o que é necessário e suficiente" para o Brasil receber um aumento na nota de crédito do País.

Meirelles vai receber nesta quarta-feira, 28, representantes da Moody's, única agência que ainda não rebaixou o Brasil por causa do fracasso da reforma da Previdência.

O ministro disse que existem incertezas eleitorais apontadas pelas próprias agências, mas que a reforma da Previdência será aprovada no devido tempo e ajudará no "upgrade" da nota.

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"O resultado da eleição de 2018 vai estabelecer direcionamento para a economia brasileira nos próximos anos. É normal que haja preocupação e cautela", afirmou. "Não tento influenciá-los, incentivá-los a aumentar a nota ou prevenir queda de nota. Faço meu trabalho e a agência o deles", disse.

O ministro disse ainda que, quanto mais rápida a reforma da Previdência for aprovada, mais eficiente e menos dura ela será. Meirelles ainda defendeu as medidas fiscais em tramitação no Congresso, como a reoneração da folha de pagamento das empresas, a mudança na tributação dos fundos exclusivos de investimento e o adiamento do reajuste dos servidores. 

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