Meirelles diz que BC preocupa-se com meta e não busca aplauso

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, respondeu hoje às críticas de que teria havido um excesso de conservadorismo na decisão do último Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a Selic, a taxa básica de juros da economia, em, 1,5 ponto percentual ? de 26% ao ano para 24,5% ao ano. "Muitos acusam o Banco Central de ter um comportamento assimétrico: de agir sem hesitação quando eleva os juros e de ter um comportamento demasiadamente comedido na hora de reduzi-los. Nada mais equivocado. O BC está comprometido em tomar as decisões corretas, visando a convergência para as metas de inflação e não em buscar aplausos no curto prazo", afirmou Meirelles durante palestra hoje no seminário promovido pelo Secovi em São Paulo. Ele defendeu, nesse sentido, que a reversão dos instrumentos de política monetária à posição de equilíbrio deve ser gradativa. Segundo Meirelles, há várias razões que explicam isso. Além do impacto dos choques que se distribui de forma assimétrica ao longo do tempo, há poucos fatores, como, por exemplo, as expectativas sobre a inflação e seus efeitos sobre a inércia, que também demandam tal postura. "A reversão tende a ser mais gradativa porque nem sempre se alcança sucesso total em evitar que as expectativas de inflação se consolidem em um patamar mais elevado. A partir daí, a política monetária precisa perseverar para persuadir os agentes a projetarem inflações cada vez mais baixas para o futuro, mesmo que tenham visto inflações relativamente mais alta neste meio tempo", explicou o presidente do BC, destacando que essa política não age sobre a economia somente através do nível das taxas de juro de curto prazo, como a Selic, mas principalmente através dessas expectativas dos agentes. Ritmo de quedaMeirelles também destacou que a gradualidade nas decisões sobre juros não reflete "insegurança, timidez, excesso de conservadorismo ou cautela". "Trata-se apenas do reflexo de uma simetria bastante natural e entre a velocidade de um choque e o ritmo de reversão da política monetária para a posição de equilíbrio", afirmou. Lembrando que poderia ser escolhido um ritmo mais rápido de cortes, que teria causado impacto mais forte sobre o nível de atividade, ou um ritmo mais lento, que teria um impacto menor, porém, mas prolongado, Meirelles ponderou que a escolha recaiu sobre um meio-termo. "Conforme evidenciado pela adoção das metas ajustadas, teremos um prazo de três anos para retornar às metas de inflação de longo prazo."

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