Meirelles diz que Brasil está em rota de crescimento sustentável

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse hoje que o País está numa rota de crescimento sustentável e defendeu que o fortalecimento dos fundamentos econômicos impedem que uma gripe nos mercados internacionais se transforme numa pneumonia no Brasil. Ele defendeu que o Produto Interno Bruto (PIB) vem crescendo baseado nos mercados interno e externo, além do fato de que o País está "muito menos vulnerável" aos choques externos, citando indicadores positivos do setor externo."O importante é que o Brasil hoje, como mostrei na minha apresentação, tem já condições de enfrentar mudanças de humor no mercado internacional sem atrair crise. No passado, às vezes o mercado internacional pegava um gripe, o Brasil pegava uma pneumonia. Na verdade, agora, o mercado internacional pega uma gripe, o Brasil pode pegar uma gripe, de preferência, inclusive, menos intensa", comentou, durante entrevista, ao fim de seminário promovido pelas Câmaras de Comércio Exterior paulista e carioca, no Rio.Durante a palestra, dirigida a empresários e representantes de países latino-americanos, Meirelles procurou demonstrar o vigor da economia do país. Indicou que, depois de se basear inicialmente apenas nas vendas ao exterior, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) agora reflete também o avanço do mercado interno, favorecido por ganhos no mercado de trabalho, como o aumento da oferta de vagas formais e da remuneração.CrescimentoPara Meirelles, a economia brasileira cresce de forma "sustentada, sustentável e em bases sólidas". Afirmou, também, que a taxa de juros real vem caindo nos últimos dez anos. "Estamos indo nessa direção. Para que a taxa de juros real média continue a cair é necessário que cada vez mais o Brasil tenha inflações na meta. Isso, sim, dá confiança aos investidores, à população", declarou, reforçando a necessidade de "persistir na política correta".CâmbioSobre o câmbio, voltou a afirmar que há estudos para aumentar a "modernidade da nossa legislação cambial" e que o Conselho Monetário Nacional (CMN) já aprovou algumas medidas nesse sentido ano passado. Questionado sobre o risco de o câmbio prejudicar as exportações e o crescimento, disse que o câmbio "reage às forças de mercado". E citou que na medida em que avançam as exportações e o saldo comercial, por exemplo, aumenta a entrada de divisas no Brasil, o que gera efeitos no câmbio."O importante é que estamos em regime de câmbio flutuante, estamos melhorando cada vez mais, trabalhando para melhorar cada vez mais a legislação, de maneira que o mercado de câmbio brasileiro possa refletir os fundamentos, corrigir os desequilíbrios e permitir que o Brasil cresça de uma forma sustentada. Isso é que é importante", afirmou.Pouco antes, o ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, (Mdic), Luiz Fernando Furlan, respondendo sobre o andamento dos estudos para o pacote cambial, afirmou que "pensamos, sim, em uma maneira de ter uma taxa de câmbio flutuante, mas que ofereça menos riscos àqueles que estão no mercado". E completou que, nos últimos dias, houve uma situação mais calma em relação ao câmbio no País.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.