Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Meirelles diz que Caoa ainda não tem dinheiro para comprar fábrica da Ford e sugere banco chinês

Secretário de Fazenda do Estado de São Paulo sugeriu que grupo brasileiro busque financiamento no Banco de Desenvolvimento da China

André Ítalo Rocha e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2019 | 16h16

O grupo brasileiro Caoa ainda não conseguiu financiamento suficiente para efetivar a compra de fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, informou nesta quinta-feira, 17l, o secretário da Fazenda e do Planejamento do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles.

“O Carlos Alberto (de Oliveira Andrade, dono da Caoa) está lutando e precisa de financiamento. O Estado de São Paulo ajuda, por meio da DesenvolveSP (agência de desenvolvimento), mas é um limite pequeno perto do que ele precisa para pagar a Ford”, disse o secretário a jornalistas, sem revelar valores.

Meirelles afirmou que sugeriu ao empresário que buscasse financiamento no Banco de Desenvolvimento da China, uma vez que o plano da Caoa de comprar a fábrica da Ford envolve um sócio chinês. “O banco disse a mim e ao governador João Doria que aprovou US$ 10 bilhões para uma linha de crédito para projetos chineses com interesse no Brasil e particularmente em São Paulo”, afirmou o secretário.

No início do ano a Ford anunciou que encerraria ao longo de 2019 as atividades produtivas da fábrica do ABC. O fechamento é motivado por decisão global da montadora de sair do mercado de caminhões. A planta era a única que produzia caminhões. O único automóvel produzido lá é o Fiesta, que sairá de linha no Brasil.

Após o anúncio, o governador João Doria procurou a empresa para ajudar a encontrar um comprador para a fábrica, na tentativa de preservar os empregos - a fábrica contava, à época, com cerca de 3 mil funcionários, antes de promover um programa de demissão voluntária.

A Caoa foi uma das empresas que manifestaram interesse e a única que conseguiu avançar em negociações. No início de setembro, Doria convocou uma coletiva de imprensa para anunciar que as duas empresas haviam chegado a um entendimento, mas que ainda seria necessário fazer uma “due diligencie” (diligência prévia), com duração de no máximo 45 dias, antes que o negócio se concretizasse. O prazo dado pelo governador se encerra no final de outubro.

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