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Meirelles diz que crescimento mais acelerado depende de reformas

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, aponta que o crescimento mais elevado da economia brasileira depende de uma aceleração nas reformas estruturais. Meirelles participou no fim de semana de reuniões no Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Basiléia, na Suíça, e deixou claro que esse processo de reformas deve ser uma das prioridades para um eventual segundo mandato do atual governo. O presidente do BC afirmou que o País está em condições de não ficar mais dependente da liqüidez internacional ou das taxas de juros americanas para poder ter um desempenho positivo. ?Não precisamos mais olhar as ameaças de fora?, disse, em entrevista a jornalistas. Evitando adiantar se o BC irá ou não rever a projeção de crescimento de 4% para 2006 em seu relatório de inflação de setembro, Meirelles deixou claro que um aumento maior do Produto Interno Bruto (PIB) virá quando ocorrerem reformas, principalmente previdenciária, fiscal e judiciária. Para ele, as precondições econômicas já estão dadas para que o País possa pensar ?nos próximos passos?. ?O debate agora é o que precisa ser feito no futuro, na medida que se estabiliza a economia?, explica. ?No passado, o Brasil vivia pensando em como sair de crises ou em como evitá-las. Agora temos de olhar para o potencial de crescimento e como fazer para crescer de forma mais acelerada nos próximos anos?, disse.Porém, ele admite que dificilmente o processo de reformas comece este ano e afirma considerar ?normal? que, num processo eleitoral, seja difícil querer que políticos fiquem ?sentados em Brasília discutindo reforma e deixando suas bases eleitorais sendo tomadas por adversários?. Meirelles, porém, evita responder porque essas reformas não ocorreram nos anos de mandato do presidente de Luis Inácio Lula da Silva. ?Isso não é uma pergunta relevante?, disse, lembrando que o governo já fez ?muitas coisas?. ?O Brasil já melhorou muito seu padrão de crescimento. Estamos crescendo a taxas bastante superiores as dos últimos anos e décadas.? Ele também acredita que seria difícil que medidas legislativas afetem, ainda neste ano, o aumento do PIB. O presidente do BC insiste que não existem desequilíbrios na economia, como a conta corrente. ?A economia brasileira está em condições, pela primeira vez em muitos anos, de ter um crescimento sustentável?, afirmou. Em sua avaliação, esse desempenho seria resultado do aumento da renda e emprego. ?Com o problema das crises praticamente resolvido e na medida que mantenhamos uma política de inflação dentro da meta e superávit primário, podemos nos dedicar a solucionar problemas que permitam crescimento maior?, defendeu.ContinuidadePor isso mesmo, além das reformas, Meirelles prega a manutenção das atuais políticas macroeconômicas. Uma dessas políticas é a de ?manter o superávit primário num nível suficiente para continuar com a trajetória de queda na relação entre dívida pública e PIB?. A outra é a inflação. ?Temos de manter a inflação na meta por tempo suficientemente longo para que os prêmios de risco possam cair e que, portanto, as taxas de juros continuem a cair?, disse. Para ele, a expectativa do mercado de inflação em 3,7% para 2006 é ?consistente com a trajetória das metas? estabelecidas pelo BC, entre 2,5% e 6,5%. ?À medida que a sociedade vai se convencendo de que o BC está comprometido com a meta de inflação, a persistência inflacionária vai cair e os custos de manter a meta diminuirão.?EmergentesO presidente do BC, finalmente, rejeitou as projeções de algumas entidades que apontam que o Brasil será o país emergente que menos crescerá em 2006. ?Vamos esperar até o final do ano?, disse. Porém, já adianta uma defesa: ?Não se pode comparar países com condições muito diferentes, como Brasil e China?.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2006 | 22h30

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