DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Meirelles diz que é 'possível' cortar R$ 30 bilhões de despesas

Ministro da Fazenda destacou, no entanto, que isso ainda não é uma medida; nova meta fiscal será divulgada na semana que vem

Rachel Gamarski, Adriana Fernandes e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2016 | 12h20

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, evitou anunciar qualquer medida, mas afirmou que o presidente em exercício, Michel Temer, colocou corretamente a possibilidade de cortar R$ 30 bilhões do orçamento. "É possível, mas eu não estou anunciando essa medida, nós não estamos descartando nada", afirmou durante conversa com alguns jornalistas na manhã desta quarta-feira.

Tecendo elogios a Temer, Meirelles afirmou que o presidente é sempre "muito preciso no que coloca e no que pode ser adotado", mas lembrou que sua equipe chegou há pouco ao governo e que ainda não teve tempo de tomar as decisões. "O Mansueto (secretário de acompanhamento econômico) começou a trabalhar ontem, estava procurando sala. O Carlos Hamilton (secretário de política econômica), apesar de estar me ajudando, começou a trabalhar ontem. Todos estão trabalhando intensamente", disse.

Segundo o ministro, a nova meta fiscal para este ano só será divulgada no início da próxima semana. Meirelles afirmou que os dados que serão anunciados na sexta-feira durante o relatório bimestral de receitas e despesas ainda estão muito vinculados à meta atual e que, só no início da próxima semana, ele irá anunciar uma estimativa levando em conta todas as hipóteses atuais. "Vamos revisar e apresentar um número final do início da semana", afirmou.

O governo tem até o dia 30 de maio para realizar a mudança da meta fiscal. Enquanto isso, o novo dirigente da Fazenda tem evitado anunciar números e ressaltou, por diversas vezes, que é preciso ser criterioso com os cálculos para que os números não precisem ser revisados como acontecia em gestões anteriores.

Entre os dados que estão sendo revistos pela nova equipe econômica, Meirelles lembrou da arrecadação que o governo terá com a repatriação de recursos de brasileiros no exterior. De acordo com o ministro, neste caso, assim como em outros, existe uma estimativa que está sendo revista.

Na avaliação do novo dirigente da Fazenda, uma revisão de programas sociais, como o presidente em exercício, Michel Temer, afirmou que o governo faria, não é imediata e sim um processo que demanda tempo. "Vamos fazer estimativas o mais realista possível de qual é a realidade", destacou.

Meirelles previu um prazo de até quatro anos para a trajetória de alta da dívida pública se estabilizar. "Um horizonte de estabilização da dívida de dois, três, quatro anos é razoável, dependendo da velocidade da estabilização", afirmou. Ele advertiu que a dívida em "poucos anos" pode atingir patamares insustentáveis. Trajetória que, segundo ele, precisa se revertida. "Quanto mais rápido melhor" afirmou. Ele ponderou que essa melhora ocorrerá no próximo governo, mas é preciso tomar as medidas de longo prazo agora. "Estamos falando de medidas que terão efeitos em vários governos, mas medidas têm que ser tomadas agora", disse.

Estados. Com menos de 40 dias para negociar com os Estados as dívidas que os entes têm com a Federação, Meirelles afirmou que é preciso equacionar a situação do País. "São necessárias medidas duras, inclusive nos Estados, e uma análise muito rigorosa de qual é o acordo possível", afirmou.

O ministro lembrou ainda que os entes da Federação não podem ficar sem pagar funcionários, como aconteceu com o Rio de Janeiro. O dirigente da Fazenda lembrou ainda que, assim como no governo federal, houve crescimento "bastante relevante" das despesas públicas estaduais. "É o momento de enfrentar tudo isso", disse. As críticas que o governo sofreu com os pedidos de contrapartidas pelos Estados foi defendida por Meirelles. O ministro avaliou ser "inevitável" que os Estados façam sua parte. "Da mesma maneira que a União já tem e está tomando medidas duras, é necessário que os Estados também o façam", destacou, evitou, no entanto, comentar qualquer possibilidade de moratória. 

Congresso. Na avaliação de Meirelles, após uma análise realista das contas públicas, será possível mostrar para o Congresso o que é necessário para garantir que a dívida pública seja sustentável ao longo do tempo, aumente a confiança, investimentos e a renda. "Minha expectativa é de ter apoio. Tenho a expectativa de que teremos apoio e que vamos propor as medidas necessárias", disse.

Mais uma vez, o novo dirigente da Fazenda ressaltou a necessidade de medidas estruturais, mas ressaltou que pretende fazer esses anúncios de forma calma e de acordo com a necessidade. "Enfraquecer essas medidas com anúncios precipitados para satisfazer a ansiedade de todos, favorece o enfraquecimento da capacidade de conduzir processo", ressaltou antes de falar uma habitual frase que tem usado nos últimos dias: "Vou devagar porque estou com pressa". 

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