Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Meirelles diz que governo considera recorrer à OMC contra sobretaxa do aço

"Os Estados Unidos falam em negociar, mas o que eles querem negociar?", indagou o ministro em debate no Fórum Econômico Mundial

Daniel Weterman, André Ítalo Rocha e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

14 Março 2018 | 17h30

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira, 14, em evento do Fórum Econômico Mundial, que há dúvidas sobre o que os Estados Unidos gostariam de negociar na questão do aço. "O governo americano fala em negociações, mas a questão é: que tipo de negociações eles querem? O que eles querem negociar?", questionou.

Ele ainda afirmou que o governo brasileiro considera a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) após a elevação nas tarifas de importação do aço para 25% e do alumínio para 10%. "Estamos pensando no que vamos fazer, mas vai depender do que os outros países vão fazer, se vamos de forma conjunta ou não", declarou."Espero e torço para que o mundo não entre em guerra comercial", disse. O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA.

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Já o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que a sobretaxa na importação de aço e alumínio anunciada pelos Estados Unidos aumentou a chance de uma "guerra comercial" entre países, mas que acredita na possibilidade de um diálogo para mitigar os impactos da medida tomada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

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Em entrevista durante o mesmo evento, o diretor afirmou que conversou com o presidente Michel Temer e que o Brasil não descarta nenhum possibilidade sobre a mesa como resposta à sobretaxação. "Na conversa que eu tive com o presidente, ficou evidente que o Brasil não descartou nenhuma possibilidade, inclusive um litígio na Organização Mundial do Comércio; é uma possibilidade, mas não é a única", destacou.

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O diálogo, reforçou, pode evitar atritos irreversíveis entre países que negociam com os Estados Unidos. Azevêdo declarou se preocupar com o "efeito sistêmico" da medida americana. "Se houver efetivamente uma situação de quebra de diálogo e adoção de medidas unilaterais em retaliação, coisas desse tipo, isso me preocupa porque pode causar um efeito dominó que é difícil de prever a extensão e a duração."

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