Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Meirelles diz que independência do Banco Central funciona bem

Presidente do BC diz que políticas econômicas terão continuidade caso ele deixe o cargo na instituição

AE,

25 de agosto de 2009 | 15h27

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, destacou durante entrevista coletiva nesta terça-feira, 25, em Nova York, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem "demonstrado um compromisso bastante sólido com a estabilidade da economia brasileira". "Portanto, caso eu venha a ser candidato a algum cargo eletivo e não esteja no BC a partir de abril de 2010, eu acredito que nós teremos um processo de continuidade (das políticas econômicas), mas isso é prerrogativa do presidente Lula", afirmou Meirelles. Ele acrescentou que a independência operacional do BC está "funcionando bem".

 

Meirelles avaliou que a sociedade brasileira está amadurecendo e a estabilidade tem mostrado resultados para a população. "Não só para empresas, no nível de investimentos e de previsibilidade, mas principalmente para o cidadão brasileiro. A classe média representa 53% dos brasileiros. Aqueles vivendo na classe 'E' saíram de um patamar de 30% da população para 18%", afirmou o presidente do BC. "A melhora do poder de compra da população e o aumento da renda real, 8 milhões de empregos criados nos últimos anos mostram os benefícios da estabilidade. Acho que são ganhos incorporados pela sociedade brasileira. Acho muito pouco provável que o Brasil volte atrás nesse aspecto. A própria população não aceitaria", disse.

 

Em relação à institucionalização da independência operacional do BC, Meirelles observou que este é um processo em andamento. "Não me compete, como presidente do BC, opinar sobre qualquer projeto de lei que venha contemplar uma independência formal do BC no futuro. O que eu posso dizer é que a independência operacional concedida pelo presidente Lula está funcionando muito bem.

 

Meirelles avaliou que os prêmios de risco embutidos na curva longa de juros têm dois componentes: um relacionado à retomada econômica mundial e outro ligado à trajetória futura da política monetária no País. O primeiro, explicou ele, relaciona-se à percepção de grande parte do mercado de que a recuperação da economia mundial prevista (com mais força) para o próximo ano será acompanhada por um processo de saída dos diversos estímulos fiscais e monetários. "Portanto, os mercados estão precificando no mundo todo, de uma forma generalizada, todo um certo aumento das taxas de juros durante o próximo ano e no ano seguinte. E dentro de um raciocínio genérico se coloca também o Brasil", disse. "O importante é observar as previsões de inflação no Brasil para 2010 que, segundo a pesquisa Focus, estão abaixo da meta prevista para 2010.

 

O segundo componente influenciando a curva de juro, explicou o presidente do BC, está relacionado a uma "expectativa de futuro, não necessariamente ligada à possível saída minha (do BC) em alguns meses, no ano que vem, antes de dezembro ou não", ressalvou ele. Essa expectativa, diz Meirelles, refere-se à trajetória futura da política monetária no Brasil. "Eu, particularmente, estou confortável de que as políticas monetária e cambial no Brasil continuarão sendo feitas com responsabilidade (no futuro)".

 

Meirelles comentou que "é normal que o mercado precifique alguma incerteza em relação a isso, independentemente de eu pessoalmente achar que haverá continuidade da (política de) meta de inflação, câmbio flutuante e austeridade fiscal e, portanto, de inflação estável e dentro da meta no Brasil nos próximos anos". O presidente do BC destacou ainda que, mesmo se decidir se filiar a algum partido, isso não significa necessariamente uma candidatura às eleições em 2010.

Tudo o que sabemos sobre:
Banco CentralMeirelles

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.