Meirelles diz que Lula não pediu para manter juros

Ex-presidente do BC afirma em palestra em Nova York que autonomia do Banco Central ''é pública e notória''

Luciana Antonello Xavier, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

NOVA YORK

O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles voltou a negar ontem, em Nova York, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha dado ordem a ele para não aumentar o juro em dezembro do ano passado.

"(Lula) não pediu. A resposta já foi dada e a autonomia do Banco Central é pública e notória. Não há dúvida disso e também não faz sentido polemizar com fontes anônimas", afirmou Meirelles, durante palestra no 2011 Brazil Summit, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, com apoio da Agência Estado. É o primeiro evento público de Meirelles em Nova York após deixar o comando do BC.

Meirelles se referiu à reportagem do jornal O Globo de domingo, na qual um ex-ministro do governo anterior afirmava que tal pedido havia sido feito e que Lula dissera, na época, que não queria alta de juros no fim de seu mandato. Meirelles respondeu ontem com artigo publicado no mesmo jornal.

Indagado se um aumento de juro, ainda no fim de 2010, não teria ajudado o trabalho do BC este ano, como afirmam alguns analistas, Meirelles respondeu que é normal que uns apontem que o Banco Central subiu os juros excessivamente ou não cortou os juros suficientemente. "O fato concreto é que o que interessa, como tudo na vida, é o resultado. E o resultado é que, em oito anos no BC, a inflação cheia sempre esteve em torno da meta (de 4,5%) e a inflação, excluindo-se os efeitos primários dos choques de oferta, esteve rigorosamente na meta. Portanto, o BC cumpriu sua missão", afirmou.

Meirelles disse que não faria comentários sobre a política monetária atual, pois ainda está em período de silêncio ao qual se impôs e que deve durar até 30 de dezembro.

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