André Dusek/Estadão
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Meirelles diz que texto da dívida dos Estados deve ser mantido

Ministro da Fazenda jantou com Temer e deputado relator de projeto e, segundo ele, o governo acredita que nenhum dos destaques deve ser aprovado

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2016 | 23h28

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira, 15, que o governo acredita que vai conseguir manter o texto-base da renegociação da dívida dos Estados na sua integralidade e que nenhum dos destaques apresentados deve ser aprovado.

"Acredito que está indo tudo muito bem, foi apoiado o acordo integralmente, foi aprovada a contrapartida relevante, que é a criação do teto dos gastos, que é o que vai garantir o ajuste fiscal dos Estados", disse, após participar de jantar com a presença do presidente em exercício Michel Temer, na casa do relator do projeto Esperidião Amin (PP-SC). "Temos alguns destaques a serem votados, mas estamos confiantes que vai ser mantida a integralidade do acordo, portanto, podemos dizer que o ajuste fiscal vai muito bem", completou. 

O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, que deixou o jantar um pouco antes de Meirelles, também afirmou que os destaques ao texto serão rejeitados. "Não vai haver aprovação de nenhum destaque, essa especulação não prospera, vamos manter o projeto.  A discussão já foi feita, agora é votar", disse. 

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que deixou o jantar ao lado de Meirelles, explicou ainda que o pedido dos Estados ajuda financeira foi repassado ao mandatário da Fazenda a pedido de Temer e está sendo avaliado. Meirelles confirmou que está na fase preliminar da avaliação e ressaltou que "o que é prioritário é o ajuste fiscal para dar confiança na economia para todos poderem crescer o que significa os Estados também." 

Orçamento. Meirelles reiterou que o governo ainda não trabalha com o "plano C" de aumento de impostos e disse que a previsão de aumento do PIB, divulgada em maio - de 1,2% - está sendo revisada, com viés de alta. "Existe uma possibilidade de isso ser maior e existe também uma característica importante no Brasil que é quando o PIB está caindo a receita caiu mais do que o PIB. Quando o PIB começa a subir a receita tributária sobe mais do que o PIB", afirmou. "Existe uma perspectiva bastante positiva no sentido de que não seja necessário aumento de impostos, essa é a nossa hipótese de trabalho. Evidentemente que a prioridade é o ajuste fiscal", ponderou. 

Meirelles disse ainda que o governo trabalha com "muitos sinais" de que a retomada da economia já está acontecendo. "A confiança de fato já começou a crescer, a confiança empresarial e a do consumidor, isso já sinalizou um aumento da atividade industrial que já cresce de forma consistente", disse. "Certamente vamos ter um final de ano já com o pais em crescimento em todas as áreas." 

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