Meirelles e Mantega tentam esclarecer conflito sobre juros

Com o objetivo de desfazer a impressão de que estaria cobrando um corte maior de juros e, portanto, desautorizando a autonomia do Banco Central (BC), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta quinta-feira, em Davos, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), tomada dois dias depois de o governo ter anunciado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual - de 13,25% para 13% ao ano.Em entrevista coletiva, que concedeu junto com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mantega destacou que a "Selic caiu na medida adequada considerada pelo Copom", acrescentando que o Copom faz uma análise técnica e tem de "entregar uma meta de inflação". Essa é a missão do Copom, disse o ministro. "O importante é que os juros estão caindo e devem continuar caindo nos próximos meses", afirmou. Dessa maneira, segundo ele, o Banco Central vai ajudar o governo a atingir os objetivos do PAC. Lula queria que Mantega e Meirelles falassem com a imprensa o quanto antes, a fim de esclarecer a posição do governo em relação ao Banco Central. Nada de cobrançasTrocando sorrisos, Mantega e Meirelles procuraram mostrar que não há desavenças entre eles. Mantega chegou, inclusive, a defender a autonomia do BC. "O BC é autônomo e funciona melhor assim". No início da entrevista, Mantega salientou que a Selic caiu na decisão desta quarta e isso ajuda o País. "O que atrapalharia seria a elevação dos juros. O crédito está aumentando e a taxa de juro continua caindo. Estamos no caminho certo", afirmou o ministro.O ministro negou que durante a apresentação do PAC, segunda-feira, tenha feito um pedido público pela queda dos juros. "Fiz apenas uma projeção futura para os juros, mostrando que o mercado, a pesquisa Focus do BC projetam uma queda de juros nos próximos quatro anos", disse ele. "Isso é muito importante".O ministro enfatizou ainda que não adianta haver crescimento com alta de inflação. "Queremos as duas coisas: crescimento e inflação na meta", afirmou. O grande desafio, segundo ele, é crescimento sem inflação. "E o Copom deu um passo nessa direção", disse Mantega."Relação cordial"Henrique Meirelles, por sua vez, procurou endossar as palavras de Mantega. "O ministro disse com muito clareza o que ele acha", afirmou o presidente do BC. "Temos uma relação absolutamente cordial e bem humorada e trabalhamos em completa sintonia", afirmou. Ele salientou que a missão básica do Copom é cumprir a meta de inflação. "Essa é a nossa contribuição para reforçar o PAC".Meirelles ressaltou que o presidente Lula, ao apresentar o PAC, disse com muita clareza que o PAC é crescimento com estabilidade e seriedade. "Há uma indicação clara que o País está no rumo certo para crescer mais. Cada um cumpre com sua parte", frisou. José DirceuO presidente do BC disse não ter se incomodado com as declarações do ex-ministro José Dirceu, que hoje em seu blog na internet sugere que a sociedade peça a renúncia do presidente do BC. "Não me importo absolutamente. Vivemos num país democrático e livre, onde qualquer cidadão tem liberdade para criticar o Banco Central". Afirmou.Meirelles, cujo retorno estava previsto inicialmente para este fim de semana, informou que vai antecipar a sua volta para sexta-feira, junto com o presidente Lula. Após o encerramento do Fórum Econômico Mundial, o ministro Mantega seguirá para Londres, onde manterá contatos com investidores, analistas e autoridades do governo britânico até quarta-feira, dia 31.

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