Meirelles é questionado sobre medidas para o Brasil crescer

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi questionado nesta segunda-feira pelos principais representantes das finanças internacionais sobre que medidas o País adotaria para crescer a taxas mais elevadas. Meirelles apenas anunciou que o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) está ainda em "estudo" e que não poderia dar detalhes. Mas já se antecipou e tranqüilizou os xerifes dos mercados internacionais garantindo que as medidas não significarão uma mudança no rumo macroeconômico do País. "O Brasil mantém seu compromisso com a estabilidade de preços e fiscal", afirmou. O recado de que os compromissos serão mantidos é o mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dará aos empresários de todo o mundo no final do mês no Fórum Econômico de Davos. Participando do encontro com os demais presidentes de BCs de todo o mundo na Basiléia, Meirelles foi cobrado pelos banqueiros diante das taxas baixas de crescimento, em comparação aos demais países emergentes. "Dei indicações de que Brasil está estudando medidas para acelerar crescimento e que serão anunciadas no final do mês. Mas disse que não significariam irresponsabilidades. Indiquei que o País está comprometido com responsabilidade fiscal e monetária. O Brasil hoje não admite e não contempla desequilíbrios em sua economia, como inflação elevada ou déficit fiscais e comerciais elevadas", disse. Segundo Meirelles, Lula não abre mão de três compromissos: responsabilidade fiscal, inflação na meta e distribuição de renda. O BC, porém, reconhece que novas medidas serão necessárias para permitir que o País cresça mais. A previsão do governo, antes das medidas do PAC, é de um aumento do PIB de 3,8% em 2007, contra uma projeção para a economia mundial de 4,9%. Já o Banco de Compensações Internacionais (BIS) aposta em um crescimento brasileiro de 3,4% neste ano. "O fato de não haver uma perspectiva de crise, com estabilidade e inflação baixa, já garante certo crescimento e aumento gradativo da produção e dos investimentos. Mas para que possamos crescer a taxas ainda mais elevadas, será necessário adotar medidas para destravar a produção", disse Meirelles, que garante que o BC atua em "sintonia fina" com o governo.ImportaçãoO presidente do Banco Central ainda reconheceu que, hoje, parte da demanda no País, que cresce a 5%, está sendo suprida por importações, diante do baixo crescimento da produção. Mas Meirelles acredita que o fenômeno ainda não afetará o superávit comercial. Para ele, diante do saldo positivo na balança, o Brasil "tem ainda alguns anos pela frente" antes de enfrentar esse problema". Em sua apresentação nesta segunda aos demais presidentes de BC, a mensagem de Meirelles foi de que "a economia do Brasil está em uma nova fase". Sem o padrão de "arrancadas e freadas", empresas podem se planejar, o que está resultando em um aumento gradual dos investimentos. Outro resultado destacado por Meirelles seria o aumento do poder de compra do trabalhador e da demanda doméstica. InflaçãoMeirelles ainda insistiu que não há país que cresça com inflação alta e que estabilidade de preços é precondição para crescer. Ele citou os casos da China, Coréia do Sul, Cingapura e Índia que tiveram inflação baixa em 2006 e altas taxas de crescimento. A exceção fica por conta da Argentina, com uma inflação de 12,8% e um crescimento de 8,4%. "Portanto, o Brasil está no caminho certo", afirmou. No BC, o sentimento ainda é de que não será apenas a queda dos juros, de 25% para 13,25%, que permitirá que o País cresça às mesmas taxas que a China. DiretoriaMeirelles continua sendo evasivo sobre sua permanência no cargo de presidente do BC. Mas já adiantou que, se for mantido, irá conversar com cada diretor para tomar uma definição sobre sua equipe. "A partir do momento em que o presidente defina sua composição de ministério, vamos sentar com cada diretor do banco, ver os projetos pessoais e meu plano de trabalho para chegar a uma definição", concluiu. Meirelles, porém, não viu com bons olhos a idéia de modificar o sistema de votação do Comitê de Política Monetária (Copom). Delfim Neto sugeriu que, na Ata do Copom, fosse esclarecido não apenas o voto de cada integrante, mas também quem teria votado de que forma. "Todos os sistemas tem méritos e defeitos. No Brasil, não anunciamos os nomes dos membros que tomaram as decisões, mas o placar, e mais importante, o motivo de cada voto", afirmou Meirelles. "O sistema tem funcionado bem e uma das lições dos BCs é de não mudar a metodologia com muita freqüência. A estabilidade de regras é importante e uma mudança não se justifica", concluiu.

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