Divulgação
Divulgação

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Meirelles entra na defesa da globalização

Em tempos de Trump e de saída da Grã Bretanha da União Europeia, onda protecionista ganha espaço nos debates do Fundo Monetário Internacional

Rolf Kuntz, enviado especial, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2016 | 05h00

WASHINGTON - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, resumiu em três parágrafos, numa declaração preparada para a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), os compromissos de seu governo com a consolidação das contas públicas, a promoção de reformas e a reabilitação da economia brasileira, há dois anos mergulhada, segundo ele, na mais funda recessão já registrada. A nova administração, recordou, só foi confirmada há um mês. A economia deve ter batido no fundo e repicado, há sinais de confiança renovada e o crescimento poderá retornar no fim do ano, acrescentou. A expansão ainda será modesta no próximo ano, mas “a resposta do investimento privado poderá ser uma surpresa positiva”, arriscou o ministro.

Os três parágrafos dedicados ao Brasil compuseram a segunda parte de uma declaração de apenas três páginas, muito mais curta que aquelas apresentadas, habitualmente, pelo ministro Guido Mantega. O tom foi também diferente, sem bravatas e sem retórica terceiro-mundista.

As perspectivas internacionais ocuparam a primeira parte do texto. Num cenário global de recuperação lenta e desigual, as boas condições de financiamento proporcionam aos emergentes uma chance de fortalecer suas políticas e de reconstruir seus amortecedores fiscais e cambiais. Devem aproveitar a oportunidade, acrescentou, porque a instabilidade ternde a aumentar enquanto se aproxima a próxima alta de juros pelo banco central dos Estados Unidos.

Meirelles mostrou preocupação – como vários outros ministros e dirigentes do FMI – quanto ao risco de retrocesso na integração internacional. Várias vezes, durante a semana, a diretora gerente do FMI, Christine Lagarde, chamou a atenção para as novas pressões contra a globalização. Documentos do Fundo deram destaque a esse dado.

A votação a favor do Brexit – o abandono da União Europeia pelo Reino Unido – resultou em boa parte de uma campanha contra a imigração, a abertura comercial e a globalização. O protecionismo tem sido um tema da campanha eleitoral americana, principalmente do lado republicano. O candidato Donald Trump tem falado mal da Organização Mundial do Comércio (OMC) e prometido desfazer acordos internacionais. O diretor geral da OMC normalmente participa, como convidado, dos grandes eventos do FMI. Desta vez, o diretor Roberto Azevêdo chegou empenhado em neutralizar a onda protecionista.

Mas essa onda tem sido favorecida por problemas bem identificados. . As disparidades aumentaram a partir da crise iniciada em 2008. O desemprego diminuiu nos últimos anos, mas muitos trabalhadores foram incapazes de recobrar o nível de renda perdido na pior fase da crise.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.