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Meirelles esclarece medidas do Banco Central

Em entrevista ao vivo no Jornal das Dez, da Globo News, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, falou longamente sobre as novas medidas adotadas pela equipe econômica, como o aumento da meta do superavit fiscal e da inflação para 2005, e deixou claro que a recente ata do Copom expressa sem subterfúgios a possibilidade de novas altas da taxa Selic, se assim o exigir a política de combate à inflação. "A ata é clara, não há nada entre linhas", afirmou, sublinhando que uma política antiinflacionária é fundamental para que o País obtenha um crescimento sustentado, não apenas em 2004 como também nos anos seguintes. "Não há país que cresceu com alta de inflação", disse.Meta de inflação para 2005"A gestão da política monetária continua normalmente. Isso (a elevação para 5,1% da meta para 2005) é algo que se tornou aconselhável, pelo fato de que a inflação em 2004 ficando um pouco acima da meta de 5,5%, existe uma influência inercial sobre a inflação de 2005. Nós decidimos combater um terço desse efeito durante o ano de 2005, o restante nos anos seguintes. É a estratégia mais adequada para o Brasil. Portanto, o Banco Central vai mirar acima da meta acertada com o FMI (4,5%). O importante é um Banco Central transparente, que comunique aos agentes econômicos, ao mercado e à população exatamente qual é o seu objetivo. O regime de metas de inflação é um regime que admite essas possibilidades. Por isso, existe um intervalo de tolerância. (...) O que é importante é que o Banco Central sinalize exatamente o que está mirando, para que todos possam fazer com que suas expectativas convirjam para o objetivo do Banco Central."Juros, crescimento e inflação"Certamente o Banco Central visa assegurar que o Brasil saia desse padrão de arrancadas e freadas, que tem sido a norma durante muitos anos. A nossa idéia é que possamos crescer de forma sustentada. Isto é: crescer de uma maneira que não vá gerar soluços no futuro, ou bolhas de crescimento. Nós vamos ajustar a taxa de crescimento, para que possamos ir num ritmo constante, e aumentando durante os próximos anos. (...) A política (de juros) vai ser adequada para exatamente atingirmos os 5,1% (de inflação em 2005), que é condição necessária para a estabilidade de preços. Não há país que cresceu com alta de inflação. É importante que nós tenhamos um compromisso com a estabilidade de preços. (...) As medidas adotadas pelo Banco Central visam assegurar que vai haver um crescimento sustentado não só em 2005, 2006 e nos anos seguintes, porque a história do Brasil tem demonstrado que a inflação é uma das razões que fazem com que muitas vezes a economia entre em recessão. Haja visto o que já aconteceu no passado. A inflação sobre o poder de compra da população cai, a economia entra em recessão. Portanto, estamos caminhando para que possamos crescer com estabilidade."Aumento do superávitMeirelles disse que não tinha a informação de que haveria o aumento da meta de superávit primário para 2004. ?É uma informação extremamente positiva. Não há dúvida de que isso tem impactos de curto e médio prazos, na medida em que mostra o compromisso do governo com a estabilidade fiscal. E é muito importante que saibamos que países como o Brasil, que tem um nível de endividamento público alto, quanto maior o superávit primário mais condições temos para a economia crescer. Por que isso faz com a dívida caia mais, e terá um impacto positivo na taxa de juros futura e na disponibilidade de poupança para o País crescer."Preços do petróleoSegundo Meirelles, a elevação dos preços do petróleo é uma questão que preocupa presidentes dos bancos centrais de todo o mundo, como ficou demonstrado na recente reunião da Basiléia, bem como em outros fóruns internacionais de que tem participado. "A conclusão é de que não há, hoje, uma previsão que possamos ter segurança a respeito dos preços do petróleo. Se as condições normais de oferta e demanda prevalecerem, e se o mercado funcionar normalmente, sem questões geopolíticas ou de outra ordem, seria normal que o preço do petróleo se acomodasse num patamar abaixo de 40 dólares, mas acima dos patamares anteriores. Mas isso não é certo. A grande conclusão, infelizmente, é que não há conclusão sobre o preço do petróleo durante os próximos meses."Risco BrasilSobre a contínua e sistemática queda do risco Brasil, possibilitando com isso o aumento dos investimentos externos no País, disse Meirelles: "Se compararmos os indicadores básicos da economia brasileira, nós vamos ver que estamos caminhando em direção ao (aumento do) grau de investimento. A situação fiscal do Brasil é sólida, o aumento da meta do superávit primário mostra que a relação dívida pública/PIB tem uma trajetória cadente; o perfil da dívida está melhorando muito; a dívida indexada ao dólar, que era uma grande fonte de vulnerabilidade, está caindo de forma sistemática; o País está crescendo, o que é muito importante, com estabilidade; e a exportação está atingindo níveis recordes. De maneira que os índices de solvência do País estão cada vez melhores. Não há dúvida de que nós vamos chegar lá."Ata do CopomPerguntando sobre se não seria melhor, para aliviar as tensões, divulgar a ata do Copom no dia da própria reunião, Meirelles disse: "A ata do Copom, no Brasil, sai até com um intervalo de tempo relativamente curto, se comparado com outros países, porque a ata tem de ser algo muito expressivo. Os analistas ficam analisando palavra a palavra". Acrescentou que essa tensão pré e pós Copom é produto da história brasileira, "na medida em que no passado, por razões diversas, o Brasil teve choques importantes na economia; teve choques em conseqüência de taxas de juros, com oscilações muito grandes. Ainda vai levar tempo para o Brasil se acostumar com o fato de que estamos caminhando em direção à estabilidade, que os ajustes serão cada vez mais finos, que o Brasil está eliminando as suas vulnerabilidades e que, portanto, nós vamos atingir um momento em que o Copom deixará de ser a grande dúvida."Autonomia do Banco CentralSobre se a autonomia do Banco Central será alcançada ainda no mandato de Lula, ele disse que essa é uma decisão que cabe ao governo e ao Congresso. "Não compete ao Banco Central opinar sobre isso. Existem experiências positivas em outros países a este respeito, mas na realidade essa é uma decisão soberana, primeiro do governo e em seguida do Congresso Nacional."

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