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Meirelles faz defesa enfática de gradualismo do BC

O presidente do BC defendeu também que a autoridade monetária deve sempre atuar visando o longo prazo

Alaor Barbosa, da Agência Estado,

24 de agosto de 2007 | 19h13

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez uma defesa enfática do gradualismo na condução da política monetária na palestra de encerramento do 9º Seminário sobre Metas de Inflação, realizado hoje no BC, no Rio. "Gradualismo minimiza alterações bruscas nas expectativas do mercado. Até porque os bancos centrais tomam decisões em ambientes de incerteza tanto quanto à conjuntura como sobre seus modelos econômicos", observou Meirelles. Por isso, as mudanças devem ser feitas de forma "incremental", enfatizou.O presidente do BC defendeu também que a autoridade monetária deve sempre atuar visando o longo prazo. "A ação preventiva é a mais importante. Não devemos ficar olhando para o momento atual e sim para a inflação futura", disse. Até porque, conforme observou, não há unanimidade nem entre os especialistas sobre o prazo em que as decisões de política monetária começam a fazer efeito. O Banco Central da Inglaterra, segundo Meirelles, estima os efeitos sobre a inflação em torno de 12 meses, enquanto o Banco Central Europeu considera horizontes mais longos, de 2 a 3 anos, afetando a inflação e a atividade econômica. No Brasil, segundo Meirelles, os efeitos ocorrem "após alguns trimestres".Ele defendeu a manutenção da "política sólida", com o Banco Central mantendo uma "atitude vigilante, mas serena". Para Meirelles, a autoridade monetária deve manter uma política monetária que mantenha as taxas de inflação "em níveis consistentes" com os padrões internacionais. Isso permite a ampliação do horizonte da economia, permitindo que as empresas façam planos de longo prazo e o incremento do mercado de capitais.Reservas cambiaisMeirelles defendeu a política de acumulação das reservas cambiais nos últimos anos. "Em momentos como os atuais fica mais claro perceber a importância da acumulação de reservas", acentuou. O presidente do BC brincou com os participantes do seminário para que ampliem a defesa da política monetária. "Aqui nesta sala todos sabemos a importância de uma política monetária consistente. Mas é preciso que outros formadores de opinião também acreditem nisso", pregou Meirelles, arrancando risos entre os presentes, em sua maioria profissionais do mercado financeiro e professores de economia.Cenário externoMeirelles fez pouca menção à volatilidade internacional em sua palestra, mas sustentou que o cenário internacional afetará pouco o crescimento brasileiro. Segundo ele, o principal motor da economia nacional é o mercado interno e este continua crescendo. "Estamos observando aumento da renda, dos investimentos, forte expansão do crédito e a flexibilização da política monetária desde setembro do ano passado", comentou. Isso está ocorrendo, segundo ele, fruto da política econômica adotada nos últimos anos, que permitiu a "desinflação" brasileira, fortalecimento das contas externas e um superávit fiscal consistente. "O Brasil soube tirar proveito do ciclo de crescimento da economia mundial. Estamos observando no Brasil um crescimento econômico com distribuição de renda", afirmou.

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