André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Meirelles fica entre dois nomes para BC

Ilan Goldfajn e Afonso Bevilaqua são apontados como favoritos para o comando da instituição

Irany Tereza, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2016 | 08h11

BRASÍLIA - A escolha do novo presidente do Banco Central num provável governo Michel Temer está se afunilando entre os nomes de Ilan Goldfajn e Afonso Bevilaqua. Ambos já ocuparam a diretoria de Política Econômica, o segundo cargo na hierarquia do BC, no período em que Henrique Meirelles presidiu a autoridade monetária.

Meirelles – que já fala como ministro da Fazenda do governo peemedebista, que assumirá em caso de aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff – dedicou o dia ontem a um “mergulho” para a formatação dos principais nomes de sua equipe econômica, segundo informam pessoas próximas a ele, tarefa que espera concluir ainda hoje.

O presidente do BC é o primeiro cargo que pretende preencher, embora seja este também o único a contar com transição, se concretizada a mudança de governo. A presidente Dilma já determinou a toda a equipe que não haverá transição para um governo que classifica de golpista.

O BC será exceção por causa da extrema necessidade de manter equilibrada a atuação do mercado financeiro. Alexandre Tombini, atual presidente da instituição, permanecerá no cargo até que um novo titular tenha seu nome aprovado pelo Congresso.

Copom. É possível que a equipe de Tombini ainda esteja à frente do BC na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 7 e 8 de junho. Nos bastidores, comenta-se, porém, a possibilidade de mudança de boa parte da diretoria do banco – ou mesmo de toda ela – e uma tendência de inverter para baixo a curva de juros.

Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, foi diretor de Política Econômica do BC a partir de 2000, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. Iniciou a primeira gestão do governo Luiz Inácio Lula da Silva como o segundo homem da diretoria de Meirelles na instituição, mas ainda em maio de 2003 anunciou sua saída. Ficou até julho daquele ano. Na época, a justificativa para a saída do executivo dada pelo BC foi o “desejo pessoal de retomar a vida privada”.

Meirelles foi buscar em Afonso Bevilaqua a substituição de Ilan. Em março de 2007, no primeiro ano da segunda temporada de Lula no poder, Bevilaqua, apontado na época pelo mercado como principal influência conservadora do Copom, pediu demissão alegando motivos pessoais. O anúncio foi feito um dia depois do anúncio oficial do crescimento do PIB de 2,9%, que representava então menos da metade da média do crescimento econômico mundial.

Outro nome cotado para o cargo é o de Mário Mesquita, que foi diretor de Política Econômica do banco de 2007 a 2010. Carlos Kawall, o quarto nome da lista, é o único de fora do BC. Como secretário do Tesouro, de abril a dezembro de 2006, porém, teve estreita convivência com Meirelles, o mais longevo presidente da história do Banco Central.

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