Meirelles garante novamente reforma cambial

O presidente do banco Central, Henrique Meirelles, voltou a garantir hoje que, independentemente das condições de mercado, a legislação cambial brasileira será alterada. Segundo ele, estudo em torno de uma reforma cambial não é apenas uma reação a fatores conjunturais, como a atual volatilidade (oscilação) no câmbio. Meirelles explicou que essa reforma é necessária para modernizar a legislação brasileira. "O Brasil tem de adaptar sua legislação à nova realidade de um Brasil globalizado." Ele lembrou que a realidade hoje do Brasil é de um país com saldo em conta corrente importante e consistente.Ele afirmou que os estudos sobre mudanças no câmbio precisam ser feitos com cuidado porque envolvem a legislação. E lembrou que todas as mudanças que poderiam ser feitas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) já foram realizadas. Meirelles disse ainda que existe "um movimento permanente" de investimentos diretos brasileiros no exterior e estes investimentos não geram vulnerabilidade (oscilação). De acordo com ele, "o investimento no exterior não gera vulnerabilidade" e está de acordo com o projeto de lei no Congresso Nacional para liberalização do câmbio e com as medidas de unificação do câmbio tomadas há cerca de um ano e meio. De acordo com ele, nos últimos anos houve uma mudança estrutural no balanço de pagamentos. Neste contexto, Meirelles considera que o aumento de investimentos brasileiros no exterior é natural e não prejudicial. O presidente do BC afirmou que até 2001 o estoque de investimentos diretos brasileiros no exterior era de menos de US$ 50 bilhões e em setembro de 2005 tinha já atingido US$ 71,6 bilhões.Crescimento econômicoMeirelles lembrou que as exportações continuaram aumentando mesmo com o crescimento da economia e disse que os preços das exportações brasileiras atualmente estão voltando e, em alguns casos, até superando os níveis que tinham em 1997, antes da crise da Ásia. Meirelles comentou que "a semana passada foi altamente atípica para diversos setores de comércio exterior".O presidente do Banco Central disse que "existe perspectiva de arrefecimento (na economia mundial), mas isso não é um dado". De acordo com ele, "pode acontecer, numa perspectiva muito pequena, e pode nem acontecer". Meirelles deu vários dados sobre as contas externas brasileiras, como o ganho de participação do Brasil no comércio mundial e o aumento das reservas internacionais nos últimos anos. Classificação de riscoMeirelles considerou ainda importante o fato de algumas empresas brasileiras já terem obtido uma classificação de risco melhor do que a do governo. Segundo ele, isso mostra que "as agências de rating (avaliação e classificação de ativos, fundos de investimento, empresas ou mesmo países, com base principalmente no critério de risco) já começam a dizer que a macroeconomia brasileira já está atingindo a um nível em que o risco de um problema fiscal no setor público contaminar o setor privado já passa a ser muito pequeno".

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