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Meirelles indica que Selic não vai cair

Governo já tomou medidas para restabelecer liquidez, afirma BC

Sérgio Gobetti, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2008 | 00h00

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sinalizou que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai manter mais uma vez inalterada a taxa básica de juros. Em audiência pública na Comissão de Orçamento, Meirelles disse que o Brasil não enfrenta a mesma situação de recessão e deflação dos EUA e da Europa para reduzir juros, como pedem parlamentares."Uma queda nesses países é perfeitamente natural. No Brasil é um caso diferente. Certamente, o BC vai se reunir e vai levar em conta todos os fatores da economia para tomar a melhor decisão para a sustentabilidade do crescimento da economia brasileira", disse.Comparando a crise a um "desarranjo" e a política econômica a um tratamento médico, Meirelles disse que cada País deve tomar a decisão adequada ao seu caso, não cedendo à tentação de usar o mesmo remédio do vizinho. "Quanto mais específico melhor, porque todo remédio tem efeito colateral. As medidas anticrise também." Para bom entendedor, o presidente do BC quis dizer que uma redução "agressiva" da taxa de juros, como pedida pelo deputado Jilmar Tatto (PT-SP), poderia provocar pressões inflacionárias inadequadas ao Brasil, que - segundo ele - não apresenta problemas de demanda, mas apenas de liquidez. "A experiência internacional mostra que a inflação não é a forma de crescer rápido", avisou.O presidente do BC chegou a comentar que existem países que estão subindo a taxa de juros, como a Rússia e a Hungria, e enfrentam depreciações cambiais como no Brasil. Mas, para não dar a impressão de que estava defendendo a alta da Selic, disse que talvez o País se enquadre num caso intermediário entre Estados Unidos e Rússia."É preciso separar a gestão da liquidez da política monetária", disse Meirelles. Segundo ele, o governo já tomou as medidas necessárias para restabelecer a liquidez do mercado e não vai permitir que falte crédito aos exportadores.Questionado sobre a decisão dos bancos de entesourar ou comprar títulos públicos com dinheiro do compulsório liberado pelo BC, Meirelles disse que o governo está tentando reverter a situação indiretamente, via bancos públicos, como BNDES, Banco do Brasil e Caixa. "Eles são capazes de influenciar na formação das taxas de juros e na oferta de crédito." Meirelles também destacou a recuperação do crédito, que, pelos dados parciais de novembro, subiu 5,7% nos primeiros oito dias úteis, mas ressaltou que o movimento é mais lento entre as empresas. Enquanto a média diária do crédito para pessoas físicas cresceu 14,8% em novembro, entre as pessoas jurídicas foi de apenas 1,2%.

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