Meirelles: inflação converge para meta em 2009 e 2010

O Banco Central está preparado para proteger a estabilidade de preços, afirmou hoje o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles. "O BC tem mostrado seu comprometimento com a meta de inflação." O presidente do BC lembrou que a inflação está subindo no País, assim como em outros países. No Brasil, passou de 3% no final de 2006 para 5,6% em maio de 2008, "acima do centro da meta de 4,5%, mas ainda dentro da margem de dois pontos porcentuais".Segundo ele, as condições monetárias estão mais apertadas desde o início do ano, sendo que seus resultados ainda estão em curso. Meirelles considerou que as expectativas de inflação convergem para a meta em 2009 e 2010, e estão abaixo dela em relação a 2011 e 2012.CommoditiesO presidente do BC avalia que a alta das matérias-primas (commodities) tem dois efeitos sobre a economia brasileira. De um lado, reduz a renda real de certos segmentos da população. Mas, de outro, aumenta as receitas dos segmentos exportadores.Conforme Meirelles, a correlação entre o real e as chamadas moedas de commodities está "aparentemente crescendo". Ele considera que o aumento das commodities significa mudanças positivas para o comércio externo brasileiro, melhorando também a capacidade de importação do País, sem deterioração excessiva das contas externas.EstabilidadeEm discurso de cerca de 15 minutos, o presidente do BC se referiu cinco vezes ao aumento da demanda doméstica brasileira como o fator que puxa o atual crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. "O crescimento da economia brasileira é explicado pela demanda interna", afirmou durante evento em Londres.Segundo ele, esse cenário limita a possibilidade de impacto decorrente da crise externa. "A economia tem se tornado mais resiliente aos choques externos", afirmou. No entanto, Meirelles acredita que "mais resiliente não significa totalmente imune". "O Brasil está totalmente integrado à economia mundial e deverá inevitavelmente sofrer algumas das conseqüências da severa desaceleração, só que de forma mais leve do que costumava sofrer."Ele disse que os preços dos ativos brasileiros refletem a consolidação da estabilidade econômica no País e também foram sustentados nos últimos anos por um ambiente global de aversão ao risco historicamente baixa. "A turbulência financeira global significa que esse período pode ter acabado." Conforme o presidente do BC, é em razão da desaceleração que o PIB brasileiro deverá crescer menos neste ano, passando de um aumento de 5,4% no ano passado para 4,8% em 2008.O presidente do Banco Central acredita que o Brasil está atualmente "em uma posição única no cenário global". "O Brasil está em um caminho de crescimento sustentável, em oposição à trajetória de ''pára e anda'' (stop and go) registrada no passado", afirmou. Segundo ele, o Brasil é possivelmente um dos únicos países com capacidade para elevar a produção de alimentos, já que possui uma grande área de terra arável que pode ser incorporada, de forma a responder ao aumento da demanda no mundo todo. Ele também citou o etanol e as descobertas de petróleo realizadas pela Petrobras como fatores importantes para o País no atual cenário. O presidente do BC ficará em Londres até quarta-feira (dia 25). Amanhã, ele participa de reuniões fechadas com investidores e de um encontro com o presidente do Banco da Inglaterra (BoE, o BC inglês), Mervyn King. No dia seguinte, será realizada palestra durante o Euromoney 2008.

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