Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Meirelles lucrou R$ 217 milhões em 2016 com consultoria, diz site

Segundo o 'Buzzfeed', ministro teria recebido R$ 167 milhões em contas que ele mantinha no exterior e outros R$ 50 milhões, afirma o ministro, a serviços prestados antes de ele assumir o cargo

Agência Estado

26 Julho 2017 | 19h09

De acordo com o site de notícias BuzzFeed, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, teria recebido, três meses antes de assumir a pasta, R$ 167 milhões em contas que ele mantinha no exterior, nas quais eram depositados pagamentos de serviços de consultoria prestados a grandes empresas, entre elas a holding J&F, de Joesley Batista.

Segundo a publicação, o ministro teria recebido, ainda, outros R$ 50 milhões quatro meses depois de ter chegado ao comando da Fazenda, referentes, segundo nota do ministro, a serviços prestados antes de assumir o cargo. As informações constam de documentos públicos produzidos pela própria empresa de Meirelles, que foram registrados na Junta Comercial de São Paulo e obtidos pelo BuzzFeed.

Ainda segundo o site, as duas transações foram feitas para Meirelles a partir das contas da empresa de consultoria dele, cujo nome atual é HM&A. Nos dois casos, o objeto da empresa, até aquele momento, era assessorar grandes empresários, dar palestras e fazer investimentos.

Em nota enviada ao Broadcast, Meirelles esclareceu que sua empresa distribuiu dividendos em 2016 referentes aos lucros acumulados entre 2012 e 2015 e que os balanços foram auditados pela PwC (PricewaterhouseCoopers).

Além disso, disse que a receita da HM&A durante o período de 2012 a 2015 foi consistente com a distribuição de dividendos feita em 2016. "Todos os valores foram declarados à Receita Federal e aos demais órgãos competentes e os tributos municipais e federais devidos foram pagos", afirma o texto.

++ FÁBIO ALVES: A prova de fogo de Meirelles

A nota destaca ainda que Meirelles foi presidente "de uma grande instituição global" e manteve o padrão de rendimentos "consistente com sua experiência". O ministro foi presidente do BankBoston por três anos.

Meirelles esclareceu ainda, no texto, que seu patrimônio é administrado por um gestor independente, sem "qualquer interferência" do ministro, "conforme recomendam as melhores práticas internacionais".

De acordo com a nota, a HM&A concentrou seu trabalho em três projetos importantes do Lazard, KKR e J&F. "O objetivo do contrato firmado com o Lazard era a expansão da empresa nas Américas. Coube à HM&A orientar essa operação No caso da KKR, a empresa do ministro organizou a implantação da empresa no Brasil. Para a J&F, o trabalho foi orientar a construção da plataforma digital do Banco Original", esclareceu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.