Meirelles mantém avaliação cautelosa da inflação

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reafirmou hoje a avaliação ainda cautelosa sobre a inflação, embora entremeada por uma "expectativa positiva" de que os formadores de preço comecem a olhar a inflação futura, e não a passada. Em entrevista por telefone à Agência Estado, Meirelles disse que ainda é "prematuro" afirmar que caiu a persistência da inflação. O presidente do BC afirmou que tem uma "expectativa positiva", baseada em informações pontuais, mas ponderou que ainda não há uma confirmação de que a persistência dos preços caiu. Meirelles disse que o BC acompanha um indicador (calculado pelo próprio BC) que mede a persistência inflacionária ("Backward Looking") e lembrou que este índice subiu no final de 2002 e no começo de 2003. Neste momento, observou, não há dados que mostrem para que lado a persistência está indo, pois o índice tem um atraso ("lag time"). Ele afirmou, porém, que o BC deverá contar com novos dados sobre esta persistência ainda antes do próximo Copom (dias 17 e 18 de junho). Meirelles, que também falou em palestra a investidores hoje em Sevilha, na Espanha, reafirmou que existe um debate "crucial" sobre a persistência da inflação.O presidente do BC se referiu a dificuldades para ter uma percepção exata sobre os rumos da inflação, apesar das recentes quedas de alguns indicadores. Ele observou que as empresas não têm reduzido os preços em suas tabelas e têm preferido dar descontos, que, no entanto, não são captados pelos índices de preço. Perguntado sobre se a divulgação do IPCA de maio, no dia 10, terá um peso fundamental para a decisão do Copom, Meirelles disse que o índice, como indicador de "inflação corrente", é importante, mas o BC também olha outros dados, entre eles o câmbio, além da já referida persistência inflacionária.

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