Meirelles minimiza discussão sobre PIB e ressalta recuperação

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Meirelles minimiza discussão sobre PIB e ressalta recuperação

Presidente do BC lembra que taxas discutidas no País são 'sensivelmente superiores à média em outros países'

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

21 de maio de 2009 | 10h31

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, minimizou nesta quinta-feira, 21, a discussão a respeito da diminuição da estimativa do governo para o crescimento do PIB em 2009, que passou de 2% para 1%, no relatório de avaliação de receitas e despesas do Ministério do Planejamento. "As taxas discutidas são sensivelmente superiores à média das previsões para os outros países", disse Meirelles, em entrevista coletiva na Conferência Brasil - União Europeia Defesa da Concorrência e Defesa Comercial.

 

Veja também:

linkMantega arredonda PIB para 1%

especialA medida do crescimento do País

especialAs medidas do Brasil contra a crise

especialAs medidas do emprego

especialDe olho nos sintomas da crise econômica 

especialDicionário da crise 

especialLições de 29

especialComo o mundo reage à crise 

 

O presidente do BC preferiu destacar as perspectivas positivas da atividade econômica do País. Segundo ele, "existem sinais bastante claros de recuperação da demanda". Essa reação da economia, de acordo com Meirelles, tem "forte componente do emprego e da renda". Ele também destacou que a evolução recente do mercado de trabalho tem dado maior poder de compra à população e que a demanda gerada pelo mercado interno é um dos principais componentes que darão força para a economia brasileira sair da crise. "O Brasil sai dessa crise com condições de continuar crescendo. O Brasil está se fortalecendo", afirmou.

 

Meirelles afirmou, porém, que é "preciso aguardar os dados" para avaliar a possibilidade de o Brasil entrar em recessão técnica - o que aconteceria, segundos alguns conceitos, a partir de dois trimestres consecutivos de contração do PIB. Segundo ele, essa discussão tem de ser feita sob a ótica de três principais fatores.

 

O primeiro deles é que a desaceleração da economia nos últimos meses foi gerada exclusivamente por influências externas. Meirelles classificou a contração da economia como um fator de "contratação importada". Ele destacou, ainda, que não houve "origem nem reforço" da crise por motivos internos.

 

O segundo fator diz respeito à capacidade de reação da economia brasileira. Na avaliação do presidente do BC, o País tem "impulso de saída, de tração, mais forte que outros países". Por fim, Meirelles destacou as boas perspectivas da economia brasileira e que a divulgação dos dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) sempre acontece com "certa defasagem". "Quando os dados forem divulgados, certamente a situação da economia será outra", disse.

 

Fluxo

 

A entrada mais forte de dólares nas últimas semanas foi classificada pelo presidente do Banco Central como uma consequência dos bons fundamentos e das perspectivas positivas da economia brasileira. "Não é nenhuma surpresa que o desempenho do Brasil finalmente seja reconhecido", disse, ao ser perguntado se a forte entrada de dólares, que derrubou as cotações para perto de R$ 2, surpreendia ou preocupava o BC.

 

Meirelles afirmou que os movimentos dos investidores "são súbitos" e que, por isso, é possível observar a entrada mais forte de recursos nos últimos dias. "Não há dúvida que o mercado procura se antecipar e quando começa a se formar um consenso, o mercado começa a se mover com grande velocidade".

 

O presidente da autoridade monetária aproveitou para fazer um alerta contra eventual excesso de otimismo no mercado financeiro. "Temos alertado já há bastante tempo contra o excesso de euforia, contra o excesso de movimento de precificação de ativos e de riscos. Participantes do mercado e empresas já, no passado, tiveram prejuízos importantes por excesso de euforia, por apostarem em tendência de uma forma exagerada. Temos alertado a todos contra esses riscos", disse. No mercado de derivativos, empresas como Aracruz e Sadia perderam bilhões de reais por manterem aposta no real em meio ao agravamento da crise, quando o dólar passou a subir na comparação com a moeda brasileira.

 

Meirelles observou, ainda, que o importante é que o Brasil está aproveitando os momentos para fortalecer sua economia. Ele citou como exemplo a retomada das compras de dólares no mercado à vista, estratégia que tem sido usada para fortalecer as reservas internacionais.

Tudo o que sabemos sobre:
crise financeiraPIBHenrique Meirelles

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.