Meirelles não explica palavra parcimônia usada na ata do Copom

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não quis comentar o uso da palavra "parcimônia" na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na manhã desta quinta-feira. O uso da palavra foi interpretado por alguns setores do mercado como uma sinalização de desaceleração no ritmo de queda dos juros. "Hoje não vou fazer nenhum comentário. Não comento ata do Copom", limitou-se a dizer Meirelles, que participou hoje da solenidade de posse da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie Northfleet. Diz a ata: "Tendo em vista as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária, e a menor distância entre a taxa básica de juros corrente e as taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo, o Copom entende que a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real, poderá demandar que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia." Ainda, segundo o BC, a decisão sobre a possibilidade de desaceleração nos cortes se torna ainda mais forte quando se leva em conta que as próximas decisões sobre a política monetária terão impactos mais concentrados em 2007. Meirelles não falou. Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez declarações divergentes do conteúdo apresentado pela ata. Ele disse que é apenas "uma interpretação" a visão do mercado financeiro de que o documento foi conservador. Ele chegou a dizer que os textos "nunca são tão explícitos", quando, ainda hoje, a palavra parcimônia foi usada na ata em referência às próximas decisões do Comitê. Contudo, ele disse que este assunto será tratado "ao longo do tempo", mas destacou que o cenário observado pelo governo demonstra que a inflação está sob controle, inclusive, com a perspectiva de que a inflação ficará abaixo do centro da meta no fechamento do ano - a meta é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima e para baixo. "Com certeza, continuará havendo redução da taxa de juros. Fiquem tranqüilos, porque as taxas continuarão caindo porque as condições são favoráveis", complementou.

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