Meirelles não vê BC mais conservador com nova diretoria

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse hoje que a troca de diretores anunciada nesta manhã faz parte de um movimento normal, que dá continuidade ao trabalho da atual gestão. Meirelles rejeitou a afirmação de que o novo perfil da diretoria seja mais conservador do que o da anterior. "O BC não é conservador ou outro tipo de classificação", afirmou, ponderando que a autoridade monetária simplesmente cumpre uma missão delegada pelo Conselho Monetário Nacional de perseguir uma meta de inflação. "Seria conservador se estivéssemos com uma inflação consistentemente abaixo da meta. Mas não. Estamos com a inflação na meta. Portanto é um BC que não é muito agressivo, nem muito conservador", disse. Meirelles explicou que o ex-diretor Alexandre Schwartsman recebeu duas missões quando tomou posse. A primeira, a de organizar a transferência da gestão da dívida externa do Banco Central para o Tesouro Nacional. "Esse trabalho foi concluído no final de 2004", explicou Meirelles. A segunda missão era a de reformar as normas infralegais cambiais, o que também já foi feito. Meirelles informou que Schwartsman decidiu retornar à iniciativa privada. Já o ex-diretor Sérgio Darcy foi escolhido por seus pares do Banco Central para presidir o conselho de administração do fundo de pensão Centrus, segundo Meirelles. Para isso, ele teria de obedecer a uma quarentena para assumir o cargo no dia 22 de agosto e, assim, foram decididas as mudanças simultâneas na diretoria do BC. Novos diretores Meirelles disse que os dois novos diretores - Paulo Vieira da Cunha e Mario Mesquita - estão totalmente preparados para substituir seus antecessores. Segundo Meirelles, Cunha tem larga e diversificada experiência profissional, tendo ocupado cargos no Ipea, Banco Mundial, governo de São Paulo e no setor privado antes de se tornar professor da Universidade de Colúmbia. "Ele vai agregar muito ao BC à medida que vai dar continuidade ao trabalho cambial feito por Schwartsman e também representar o Brasil junto a organismos e investidores internacionais. Sobre Mesquita, Meirelles lembrou que o economista também tem experiência internacional e acadêmica para substituir Alexandre Tombini na diretoria de estudos especiais. Indagado sobre os reflexos da crise política na economia, Meirelles disse que o Brasil hoje tem condições de passar por quaisquer incertezas, sejam internacionais ou internas, como a crise política do ano passado. Segundo ele, os fundamentos econômicos construídos nos últimos anos permitem ao Brasil ter um crescimento de forma equilibrada. Meirelles assistiu na tarde de hoje a exposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no World Economic Forum.

Agencia Estado,

06 Abril 2006 | 17h42

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