Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Meirelles nega que seu cargo esteja ameaçado e diz que pressão é normal

Ministro comparou experiência com período do governo Lula, quando foi presidente do BC: 'acho que agora a pressão é até um pouco menor'

Álvaro Campos, Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2016 | 12h27

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, negou nesta segunda-feira, 5, que seu cargo no governo está em risco. Perguntando se está sendo "fritado" por aliados, ele afirmou que "não tenho visto isso".

Segundo ele, é normal que haja pressão sobre membros do governo e ele já teve uma experiência semelhante quando foi presidente do Banco Central, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Acho que agora (a pressão) é até um pouco menor", comentou. A declaração foi dada após sua participação no 12º Congresso Brasileiro da Construção, em São Paulo.

Em meados do ano passado o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também começou a ser pressionado, à medida que a economia não reagia, mesmo com o forte plano de ajuste fiscal defendido por ele. O ministro, na ocasião, rechaçou os comentários sobre sua possível saída do cargo, mas no fim do ano acabou deixando o governo Dilma Rousseff sendo substituído por Nelson Barbosa.

Neste domingo, o presidente da República, Michel Temer, disse ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real da Agência Estado, que Meirelles tem seu "total apoio". O presidente afirmou também que não há nenhuma intenção de se compartilhar o comando da política econômica.

PIB. No evento, Meirelles afirmou que há um consenso de que a economia brasileira crescerá em 2017, mas o que se discute é o ritmo. Apesar dessa fala, alguns analistas já projetam nova recessão no ano que vem. Na pesquisa Focus, a expectativa para o crescimento em 2017 caiu de 0,98% para 0,80%.

Meirelles afirmou que houve uma expectativa muito grande quando Temer assumiu a Presidência da República de que haveria uma melhora na economia, porque as medidas corretas já estavam sendo tomadas. Entretanto, talvez tenha ocorrido uma avaliação apressada, já que a atual crise é diferente das outras, por ser mais profunda e prolongada, o que afeta a saúde financeira das empresas e torna a retomada da economia mais demorada. "A urgência para tirar o País da crise existe desde o momento em que assumimos", afirmou.

Questionado se o governo vai mesmo lançar um pacote com dez medidas microeconômicas para estimular a economia, Meirelles disse que uma série de ações estão sendo estudadas, mas ainda estão em elaboração. Ele voltou a afirmar que, no momento, não há planos de aumentos de impostos e, perguntando se o governo analisa novas isenções tributárias para ajudar alguns setores, ele afirmou que "não pretendemos aumentar o déficit público dando mais desonerações".

"Os remédios básicos que resolvem a doença (da economia) já estão começando a funcionar. O Brasil saiu da UTI, mas ainda não está correndo, como todos ansiamos", afirmou.

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