Meirelles: País cumprirá meta de inflação em 2010

O Brasil cumprirá a meta de superávit fiscal de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 e a inflação, para o mesmo período, mostra-se "estável e dentro da meta" de 4,50%. A avaliação foi feita hoje pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, durante entrevista a emissoras de rádio, em Brasília.

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

17 de dezembro de 2009 | 10h52

Meirelles reafirmou que o BC possui compromisso com a meta de inflação. "Esse compromisso vem sendo cumprido há sete anos e, com isso, temos histórico de credibilidade. Para 2010, a inflação está estável e na meta", assegurou.

Em relação ao PIB, o presidente do BC considerou que a avaliação do resultado de um trimestre, isoladamente, não é o mais recomendável, porque se trata de um dado muito volátil. Ele disse preferir o acompanhamento do resultado da atividade de um país durante um ano inteiro. Ele comentou, porém, que alguns dados referentes ao terceiro trimestre deste ano foram muito importantes, como o que revelou o forte aumento dos investimentos e da atividade da indústria. "(Eles) mostram que a economia vai muito bem", destacou.

Meirelles evitou comentar a colocação, feita por um jornalista, de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria se decepcionado com o número do PIB de julho a setembro. "O número foi menor do que alguns esperavam, mas veio bem", limitou-se a dizer. Para o presidente do BC, a expectativa para o nível de emprego nos próximos meses também é "muito boa".

Meirelles salientou que o Brasil está crescendo a taxas que podem ser consideradas elevadas para o padrão de países emergentes. Isso foi possível, segundo ele, mesmo com os efeitos da crise financeira internacional, porque o País fez a lição de casa. Ele citou a estabilidade, a criação de empregos formais, as reservas, os investimentos elevados e a dívida pública decrescente como fatores favoráveis. "A crise atingiu o Brasil duramente, como experimentamos, mas o País enfrentou a crise de forma eficaz. O Brasil é modelo de sucesso no enfrentamento da crise", considerou.

Sucessão no BC

Meirelles disse ainda que seu sucessor no BC terá o perfil de alguém comprometido com a estabilidade da economia brasileira. "Esta é uma decisão do presidente da República. Se fosse tomada pelo atual presidente (Luiz Inácio Lula da Silva), seria alguém comprometido com a estabilidade da economia brasileira."

Ele salientou que, caso escolha permanecer no cargo até o fim do mandato presidencial, em dezembro de 2010, a decisão sobre seu sucessor caberá ao presidente eleito. "Mesmo assim, deve manter o padrão de alguém comprometido com a economia brasileira", considerou.

Meirelles, que filiou-se este ano ao PMDB, pode disputar algum cargo eletivo em 2010. Para isso, ele precisa se afastar do BC até o início de abril do próximo ano.

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