Meirelles: País paga o 'preço do sucesso'

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou ontem, em Curitiba, durante encontro com empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) que o Brasil paga hoje o "preço do sucesso".

Evandro Fadel / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

"Eu acho que temos agora um período não pontual. No Brasil, vai tudo muito bem. A economia vai crescer mais de 7% neste ano (o BC espera crescimento de 7,3%) e, para o ano que vem, crescerá a uma taxa menor, mas mais sólida. Um mundo com tantas incertezas faz com que o Brasil atraia investimentos. É o preço do sucesso", disse ele.

Para Meirelles, a valorização do real em relação ao dólar decorre de fatores conjunturais e estruturais. Conjunturalmente, disse ele, existem problemas com algumas moedas. Um exemplo é o dólar, que se está desvalorizando não só em relação ao real, mas diante de muitas moedas, o que implica um problema que tem afetado muito o Brasil.

Ainda segundo o presidente do BC, pesa sobre o Brasil o fato de o real ser uma moeda muito correlacionada com as chamadas moedas-commodities, que são as moedas de grandes exportadores de matérias-primas, como Austrália, Nova Zelândia e Canadá, entre outros.

Meirelles também afirmou que, independentemente de quem vença as eleições presidenciais deste ano, a "tendência" é a manutenção da política econômica praticada atualmente pelo governo federal. "Hoje, pela primeira vez, tem apoio político uma estabilidade econômica no País", destacou. A afirmativa mereceu aplausos dos ouvintes.

Meirelles fez uma exposição sobre a situação econômica encontrada em 2003 e o que se verifica hoje, destacando, entre outros pontos, a queda da taxa de risco e o consequente aumento no volume de investimentos, além do crescimento de US$ 23,3 bilhões para US$ 267,2 bilhões das reservas internacionais.

Ele ressaltou, como tem feito o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o volume de brasileiros que passaram à classe média foi de 35,7 milhões, enquanto outros 20,5 milhões cruzaram a linha da pobreza.

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