Meirelles: País terá juro adequado para desenvolvimento

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse ontem, durante palestra na abertura do XIX Congresso da Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), que a taxa básica de juros será a que for adequada para o desenvolvimento equilibrado do País. "Uns dizem que a taxa vai subir. Eu não sei. Outros dizem que vai cair. Também eu não sei. O fato é que existe uma tendência de baixa da taxa de juros, resultado da estabilização econômica no Brasil", disse. O presidente do BC ressaltou que a taxa real (acima da inflação) de juros está em 4,9%. "Eu me lembro que há alguns anos se dizia ''no dia que o Brasil tiver uma taxa real de 5%''... Agora podemos ver", afirmou.

ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

14 de setembro de 2009 | 07h50

Meirelles afirmou também que o grande problema no mundo hoje é o custo fiscal que os países avançados tiveram com a adoção de medidas para enfrentar a crise financeira internacional. "Olha como vai a dívida pública dos outros países! Esse é o grande problema do mundo hoje. Esses países terão problema em pagar essa dívida no futuro, o que é um desafio", disse. O presidente do BC citou projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) que apontam que a dívida pública dos Estados Unidos vai subir para 70,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010; do Reino Unido, 66,9%; da Alemanha, 78% e da França, 70,6%.

Na palestra, Meirelles, destacou que, ao contrário desses países, o Brasil tem uma dívida pública com projeção de tendência de queda: de 42,5% em 2009 para 40,9%. "O custo fiscal de saída da crise no Brasil é menor do que os países. Isso foi mencionado pelo ministro da Fazenda (Guido Mantega) com razão", argumentou. Segundo ele, o Brasil em termos comparativos com outros países sai da crise de "forma muito saudável".

Crise

O presidente do Banco Central disse ainda que o Brasil está saindo da crise com capacidade de crescimento sem problemas com a inflação. "O Brasil entrou na crise com capacidade de crescer, de quando sair da crise crescer mais rápido sem gerar desequilíbrios macroeconômicos como acontecia no passado", destacou. Ele lembrou que o Brasil, no passado, quando saia de crise, ao primeiro sinal de crescimento encontrava problemas de inflação. Segundo ele, o Banco Central passou a ser respeitado pelos agentes econômicos pelo fato de manter a inflação com uma trajetória em direção à meta. "Não adianta conversa na vida. Em qualquer atividade, o que interessa é resultado. Foco", disse.

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