Meirelles: perspectiva é positiva para setor de crédito

Por ser ainda muito enxuto, o mercado de crédito brasileiro pode ser avaliado hoje sob uma perspectiva positiva, na opinião do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. De acordo com ele, o crédito do mercado imobiliário representa hoje apenas 5% do Produto Interno Bruto (PIB). "Isso é uma boa e uma má notícia", disse, explicando que se hoje o patamar é muito baixo isso é um sinal de que há perspectiva de crescimento do setor. "Há espaço para o crescimento crédito no Brasil se comparado com o mercado de outros países", afirmou.De acordo com Meirelles, como as normas domésticas são mais rígidas do que as externas, há menor probabilidade de ocorrer uma crise de inadimplência aqui, como a vista recentemente nos Estados Unidos. "Nosso passado de crises tem nos ensinado questões importantes", salientou.O presidente do BC enfatizou que, após um período de elevação, atualmente as taxas de inadimplência estão em trajetória decrescente. As razões para essa diminuição das taxas, segundo ele, são a de que houve uma mudança estrutural do mercado e a de que hoje há maior previsibilidade da economia, o que facilitaria o trabalho dos agentes e dos consumidores. "Finalmente os bancos no Brasil estão assumindo o papel de intermediadores da poupança", comentou.Para Meirelles, os dois motores do crescimento do Brasil são o investimento e o consumo das famílias. Esses dois pontos, em sua avaliação, são altamente dependentes da confiança na economia brasileira. "Isso favorece o setor de bens duráveis, que vem liderando o crescimento do consumo. A expansão do País, portanto, é sustentável domesticamente e cada vez é menos dependente da economia internacional", salientou. "Ouso afirmar que esse é o início de uma nova era, com ciclo de crescimento longo e expansão do PIB há 22 trimestres, com controle da inflação, superávit primário e melhora da condição social", enumerou.Meirelles disse que neste momento o BC tem conseguido trabalhar antecipando-se aos fatos e agindo preventivamente "em vez de estar correndo atrás do prejuízo".ReservasO Brasil passa neste momento por um processo cauteloso de diversificação das reservas internacionais, de acordo com Meirelles. Ele lembrou que a maior parte dessas reservas ainda está em dólar, apesar da desvalorização recente da moeda, mas que isso é necessário em razão da dívida externa brasileira. "Temos que olhar para isso, ter um hedge (proteção) para a dívida, mas estamos em um momento de fazer uma diversificação dos recursos com muito cuidado".O presidente do BC fez essas declarações durante almoço de cerimônia de posse do presidente da Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI), Enilson Alonso, que é também presidente do HSBC no Brasil, na capital paulista.

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