EFE/Laurent Gillieron
EFE/Laurent Gillieron

Meirelles quer Eduardo Guardia como seu substituto no Ministério da Fazenda

Substituição enfrenta resistência entre alguns deputados federais do MDB, partido do presidente Michel Temer

Adriana Fernandes, enviada especial a Porto Alegre, Julia Lindner e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

26 Março 2018 | 19h01

PORTO ALEGRE E BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quer Eduardo Guardia como seu sucessor no cargo, apurou o Estadão/Broadcast. Guardia é o número 2 do Ministério da Fazenda e a avaliação do ministro é de que o melhor nome para dar continuidade ao seu trabalho. Meirelles, que vai deixar o cargo no início da próxima semana para se candidatar nas próximas eleições, indicou o nome do seu auxiliar para o comando do Ministério da Fazenda ao presidente Michel Temer.

A indicação de Guardia, segundo fontes, faz parte das costuras políticas para a migração de Meirelles ao MDB. O ministro também sugeriu o nome do secretário de Acompanhamento Fiscal, Mansueto Almeida, para o Ministério do Planejamento, já que o ministro Dyogo Oliveira, como mostrou o Estadão/Broadcast, é cotado para a Presidência do BNDES. Para um interlocutor do ministro, seria um “desprestígio” de Meirelles o presidente Michel Temer não aceitar a indicação de Guardia. Na Fazenda, é elevado o risco de uma saída generalizada dos secretários caso a indicação de Temer não seja a de continuidade.

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O Estadão/Broadcast informou nesta segunda-feira, 26, que o presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR), desistiu de atuar pela escolha de Dyogo Oliveira como sucessor de Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda. Segundo fontes, a decisão faz parte da negociação para que Meirelles se filie ao partido. Por causa disso, Jucá deve se manter distante ao longo da semana - ele está em Roraima e só retornará a Brasília no próximo sábado, 31.

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Nesta segunda-feira, Temer confirmou ao Broadcast Político que Meirelles, deixará o cargo nos próximos dias para tentar se viabilizar como candidato à Presidência da República. "Já era a intenção dele. Acertamos nesses últimos dias", afirmou Temer à reportagem em rápida conversa por telefone. O presidente disse ainda não ter decidido quem substituirá Meirelles.

Para tentar viabilizar seu projeto eleitoral, o ministro da Fazenda deve deixar o PSD, sua atual sigla, e se filiar ao MDB, mesmo com o partido tendo o próprio Temer como candidato declarado à reeleição. A ideia é que o ministro fique como "plano B", para caso Temer não consiga viabilizar sua candidatura e desista de entrar no páreo. Caso Temer não recue, o MDB quer que o ministro seja candidato a vice-presidente na chapa do emedebista.

Bastidores. A substituição de Meirelles no comando do Ministério da Fazenda pelo secretário-executivo Eduardo Guardia enfrenta resistência entre alguns deputados federais do MDB, partido do presidente Michel Temer.

A resistência seria causada por divergências que parlamentares tiveram com Guardia durante a negociação de projetos econômicos na Câmara, entre eles, os vários Refis que passaram pela Casa. Caciques emedebistas, inclusive, já avisaram a Temer que não aceitam que o secretário-executivo substitua Meirelles, que deixará o cargo para tentar viabilizar uma candidatura à Presidência da República. 

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