Meirelles reafirma compromisso do BC com meta de inflação

Presidente do BC nega que medidas adotadas pela autoridade monetária indiquem mudança na atuação

Célia Froufe, da Agência Estado,

20 de outubro de 2008 | 15h05

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, negou nesta segunda-feira, 20, que as medidas recentes adotadas pela autoridade monetária sejam uma mudança na sua estratégia de atuação. Ele reafirmou que o compromisso do BC é com o regime de metas para a inflação. "Engana-se quem vê nas medidas adotas pelo BC uma mudança na sua estratégia de atuação", afirmou. "É importante que isso esteja bem claro para a sociedade", acrescentou. Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir a nova taxa básica de juro, a Selic. Veja também:Bernanke apóia segundo pacote de estímulo à economiaPaís deve ficar de 'antena ligada', diz Lula sobre a criseConsultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise   Meirelles ressaltou no entanto que a calibragem e o timing da atuação do BC levam em conta o que está ocorrendo na economia, inclusive no que se refere à oferta de crédito e às incertezas trazidas pela crise internacional, além de outros fatores. "As decisões do Copom continuarão, em suma, a serem condicionadas pelas nossas projeções para a inflação e o balanço de riscos associados a essas projeções, e levarão em conta todos os desenvolvimentos recentes do mercado." O presidente do BC fez essas afirmações durante a cerimônia de posse da nova diretora da Anbid neste início de tarde, na capital paulista. Mais cedo ele esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com a diretoria da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, também em São Paulo.  No evento da Anbid, Meirelles destacou que a atuação do BC visa a mitigar o impacto da crise, mas sem artificialismos, que podem gerar desequilíbrio que encerram riscos consideráveis para a economia. No final de semana, Lula já havia garantido que o governo não adotará nenhum pacote econômico em razão da crise. Na terça-feira, Mantega e Meirelles participam, na Câmara, de comissão geral que irá debater, no plenário da Casa, a crise financeira mundial. O início do debate está marcado para as 13 horas. Liquidez Meirelles afirmou ainda que foi pelo fato de o País ter acumulado "um volume expressivo de reservas" no período da bonança que, agora, o governo dispõe de um vasto arsenal de recursos para prover liquidez adequada ao sistema. "Nossa tão criticada acumulação de reservas, sem prejuízo da necessária flexibilidade cambial, mostra-se hoje providencial."  Ele salientou que, ao contrário do que muitos pensam, a autoridade monetária pode atuar com flexibilidade, pragmatismo e serenidade diante da crise, para a qual o País se preparou. Ele afirmou também que cooperação com outros bancos centrais é outra vertente importante no trabalho desempenhado pela instituição no País, citando como exemplo, a reunião no domingo, no Chile, com os BCs das maiores economias da América Latina.  "Nessa reunião, analisamos as implicações da atual crise internacional e seus desafios", relatou. De acordo com ele, a avaliação do encontro foi a de que as economias da região estão em condições melhores para enfrentar as turbulências financeiras fracas aos seus fundamentos econômicos. Meirelles explicou ainda que os representantes desses BCs acordaram em estabelecer mecanismos de intercâmbio, de informação e de cooperação técnica para facilitar o curso das ações a serem seguidas em cada país.  Demanda doméstica Meirelles também salientou que a "pujança" da demanda doméstica, alicerçada no mercado de trabalho, deve continuar sustentando a expansão do PIB nos próximos meses, ainda que em ritmo mais modesto. "As economias emergentes, cujo crescimento depende das exportações, terão que fazer um ajuste mais rápido, sob pena de importarem de forma mais intensa a desaceleração do G-3 (grupo formado pelas maiores economias do mundo)."     

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