Meirelles reafirma que País está melhor preparado para crise

Presidente do Banco Central passou o dia em Miami, onde foi homenageado como 'Financista do Ano'

Carlos Wesley, de O Estado de S. Paulo,

24 Outubro 2008 | 20h01

O maior indício de que o Brasil encontra-se, atualmente, melhor preparado para enfrentar a crise financeira mundial do que há alguns anos está no fato de que o presidente do Banco Central brasileiro não passou o dia de hoje - difícil e repleto de más notícias - em reuniões a portas fechadas com assessores na sede da instituição. Ao contrário, Henrique Meirelles estava em Miami, nos Estados Unidos, onde recebeu, à noite, o prêmio 'Financista do Ano', concedido pela revista Latin Trade, periódico especializado no mundo dos negócios na América Latina.  Veja também:A crise de 29 na memória de José Mindlin Lições de 29 As grandes crises econômicas Consultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  Mais cedo ele participou de um almoço com empresários brasileiros, autoridades e representantes de grandes corporações internacionais, quando mais uma vez tratou de repetir que o Brasil está atravessando a turbulência com segurança. "Vou frustrar aqueles que esperavam que eu chegasse aqui com novidades ou anúncios bombásticos", disse em sua rápida apresentação no Hotel Ritz Carlton. Meirelles não negou, porém, que o governo brasileiro, assim como os outros países, está preocupado com o desenrolar da crise. Mas enfatizou que tem confiança nas medidas que foram tomadas nos últimos seis anos. "Estamos menos dependentes às oscilações cambiais e fortalecidos pelo processo de ajuste fiscal e controle dos gastos públicos", afirmou o presidente do BC, fazendo a ressalva de que é muito difícil prever os movimentos futuros do mercado. Mesmo assim, ele fez questão de dizer que o governo está preparado para ajudar a economia. "No passado as intervenções do governo representavam fraqueza, mas hoje são um fator de força", explicou, ressaltando ainda que os bancos centrais ao redor do mundo estão tomando as decisões corretas para minimizar os efeitos da crise. Na sua apresentação, bastante técnica e cheia de gráficos e dados, o presidente do Banco Central apresentou algumas medidas que a instituição vem tomando desde que a crise começou, em especial a partir de meados de setembro, com a queda de grandes bancos americanos. Ele, no entanto, não quis se aprofundar em assuntos específicos, como as críticas da oposição à medida provisória 443 ou mesmo em relação à possibilidade de aumento dos juros, que poderá ser definida na próxima reunião do Comitê Político Monetário. "Não posso falar sobre tendências ou antecipar qualquer tema, pois no Copom temos essa diretriz de não adiantar nada uma semana antes da reunião", disse, referindo-se ao encontro da próxima semana em Brasília. Ao ser apresentado por um dos organizadores do evento, Meirelles foi qualificado como um dos arquitetos da nova política econômica brasileira, que resultou numa reviravolta na história do país. "Ele agiu como um bombeiro, apagando o incêndio da inflação e das altas taxas de juros. Hoje, porém, o Brasil é a maior economia da América do Sul", disse Mike Zellner, diretor da Latin Trade. Meirelles voltaria a Brasília ainda este fim de semana. Presente à palestra, o cônsul-geral do Brasil em Miami, Luiz Augusto de Araújo Castro, considerou a mensagem de Meirelles bastante positiva. "Dá para sentir que as autoridades financeiras brasileiras estão administrando a crise com muita responsabilidade e coerência, aliás como já vinham fazendo há algum tempo", disse o embaixador. Gerente-geral do Banco do Brasil em Miami, Douglas Capela, foi outro a destacar que os fundamentos da economia brasileira estão sólidos e elogiou a disposição do presidente do Banco Central vir a Miami para tranqüilizar o mercado. Do mesmo modo, Aloysio Vasconcellos, presidente do Brazilian Business Group, grupo de empresários brasileiros que atuam na Flórida, saiu do evento impressionado com a serenidade de Meirelles diante da crise. "Isso certamente dá mais segurança", opinou.

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