Meirelles rebate crítica à política monetária em 2003

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, rejeitou hoje críticas de que o BC tenha adotado uma política excessivamente ortodoxa em 2003 com a consequente contração do PIB. Segundo Meirelles, ao adotar no passado políticas monetárias frouxas conjugadas com políticas fiscais expansivas, os governos provocaram inflação por mais de uma década. "O nosso diagnóstico é diferente", disse, justificando a política do governo Lula. Ainda segundo ele, houve diminuição do PIB no primeiro semestre e no início do segundo semestre de 2003 em função da grave crise enfrentada pelo País em 2002 e no início do ano passado. Meirelles destacou o crescimento da economia no segundo semestre do ano passado, frisando o crescimento no quarto trimestre, que foi de 6,14% em base anualizada. De acordo com o presidente do BC, foi "um dos maiores resultados do mundo". Ao falar para uma platéria de alunos de graduação da Faap, em SP, Meirelles disse que os dados precisam ser avaliados com atenção, explicando que medidas diferentes em períodos diferentes não podem ser comparadas. Em seguida, observou que o crescimento nos EUA de 4,1% refere-se também ao último trimestre de 2003 em base anualizada, e, portanto, não pode ser comparado com a contração de 0,2% do PIB brasileiro em 2003. Meirelles disse ainda que o grande desafio do governo é o crescimento sustentado. "Precisamos superar o modelo de bolhas espasmódicas". Ajuste Além de mencionar por diversas vezes a taxa anualizada de crescimento no último trimestre de 2003, de 6,14%, o presidente do Banco Central atribuiu o fraco desempenho médio da economia no ano passado ao forte ajuste externo ocorrido em 2002, mas que também teve seus efeitos no ano seguinte. "Foi a crise (de 2002) que gerou o fraco desempenho econômico do primeiro semestre de 2003", afirmou Meirelles, lembrando que países que passaram por ajustes externos de magnitude semelhante registraram quedas muito maiores da atividade econômica. Segundo Meirelles, esse "quadro dramático do início do ano passado" se dissipou quando ficou claro para os agentes econômicos que o governo se pautaria pela disciplina fiscal e o BC não seria complacente com a inflação. Isso permitiu, segundo Meirelles, que a taxa básica de juros fosse reduzida em mil pontos base desde junho e a taxa de mercado de médio prazo caíssem pela metade. "O swap DI de 360 dias caiu dos 33% do início de 2003 para menos de 16% hoje. A taxa real do swap de 360 dias caiu ao longo de 2003", disse o presidente do BC. Meirelles enfatizou ainda que uma queda mais acelerada do juro básico não levaria a um crescimento maior. "Isso geraria apenas uma bolha transitória de curto prazo e um retorno acelerado não do crescimento sustentado, mas sim da inflação", afirmou Meirelles, enfatizando novamente que a economia não está estagnada e que o resultado médio do PIB em 2003 deve ser visto "como o que é na realidade: uma fotografia da economia brasileira vista pelo retrovisor".

Agencia Estado,

01 Março 2004 | 10h28

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