Meirelles rebate críticas e diz que manterá inflação na meta

Presidente do BC diz que banco manterá inflação em 4,5% e que última alta dos preços provou erro dos críticos

Agência Brasil,

24 de maio de 2008 | 12h55

O Banco Central (BC) vai continuar trabalhando para manter a inflação na meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5% para este ano e 2009. A afirmação foi feita pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, em entrevista à Agência Brasil, órgão oficial do governo. "A Nação pode estar tranqüila de que o Banco Central vai manter a inflação na meta", disse Meirelles, que respondeu ainda aos críticos da política monetária. Para ele, os últimos dados de inflação confirmam que o BC estava certo e os críticos, errados.   Veja também: Entenda o que é fundo soberano  Entenda a crise dos alimentos  Entenda os principais índices de inflação   Projeto de lei do fundo soberano está pronto, diz Mantega   Meirelles lembrou que, quando o BC manifestou preocupação com a inflação, muitos analistas de mercado acharam que a autoridade monetária exagerava. Mas, à medida que se confirmaram as preocupações, muito desses analistas reagiram de uma forma "talvez também exagerada". "Antes estavam, talvez, eufóricos. Hoje estão próximos do pânico", enquanto o Banco Central mantém "absoluta serenidade", uma vez que o que está acontecendo atualmente já estava previsto.   Nas últimas semanas, a subida da inflação derivada da alta dos preços internacionais dos alimentos e do petróleo motivou setores do governo a sugerir que o BC explicitasse que iria perseguir uma inflação ligeiramente maior do que a meta, na casa dos 5%, como mostrou o Estado, em reportagem publicada na última quarta-feira.   O raciocínio por trás dessa proposta é o de que, como a inflação sobe por causa de um "choque de oferta", a elevação dos juros teria pouca eficácia para conter a alta dos preços. A alta dos juros, no entanto, reduziria o crescimento econômico, o que seria um preço alto a pagar por resultados quase nulos em termos de controle inflacionário.   A análise de Meirelles, porém, vai em outra direção. Ele afirma que a inflação não está concentrada em alimentos, mas tem um grau bastante grande de difusão, espalhando-se por matérias-primas, metais, produtos químicos, petróleo e serviços. Além disso, a economia aquecida gera risco de que os fortes aumentos de preços no atacado sejam repassados para o varejo.   O presidente do BC diz ainda desconhecer qualquer discussão, no governo, para que alterara a meta de 4,5%, adotando-se a chamada "meta ajustada de inflação". Segundo ele, na sua próxima reunião, o CMN vai discutir a meta para 2010. "Não existe, ao que eu saiba, qualquer agendamento para uma mudança: ou seja, a meta para 2008 e 2009 está fixada e nós vamos fixar a meta para 2010."   A política de metas de inflação deixa margem de tolerância de dois pontos porcentuais, para cima ou para baixo, ou seja, a meta deste ano será considerada cumprida mesmo se inflação for a 6,5%.   Meirelles considerou que uma eventual elevação do superávit primário do governo (a economia feita para garantir o pagamento de compromissos financeiros) ajudaria a tarefa do BC, na medida em que ajudaria a reduzir a dívida pública mais rapidamente, o que tenderia a baixar as taxas de juros a longo prazo. Mas essa decisão, salienta, não cabe ao BC, mas ao presidente da República e ao Congresso, ao definir as prioridades de investimento do País.     Fundo Soberano     O presidente do BC afirmou ainda que a criação do Fundo Soberano brasileiro não mudará a política de formação de reservas internacionais, que atualmente passam de US$ 198,9 bilhões. Meirelles negou que possa haver alguma tensão com o Tesouro Nacional, que também poderá comprar dólares para compor o fundo. "O Banco Central em nenhum momento deseja ter qualquer tipo de atuação única no mercado", disse Meirelles.   Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apesar de estar prevista a atuação do Tesouro Nacional com a compra de dólares, a composição principal do fundo virá do superávit primário (receitas menos despesas, excluídos pagamentos de juros). Meirelles afirmou que não teve acesso aos estudos com os detalhes do fundo, mas depois de anunciadas as características fundamentais de constituição do Fundo Soberano do Brasil, o Banco Central vai discutir os detalhes da política de governança do instrumento.   Na última sexta-feira, Mantega teve de rebater informações de que a criação do fundo seria adiada. Segundo o ministro, foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ordenou a criação do fundo e que o governo ainda está trabalhando nos detalhes dele. Mantega acrescentou ainda que a elaboração conceitual do fundo está em estágio final e que enviará na semana que vem uma proposta ao Planalto. "O presidente Lula determinou que nos fizéssemos o fundo soberano. O projeto de lei está praticamente pronto e só faltam aspectos jurídicos", disse Mantega a jornalistas na portaria do ministério.   O fundo, que deverá receber recursos do superávit primário, tem previsão de lançamento em junho e deve administrar cerca de 20 bilhões de dólares em ativos. O plano da criação do fundo ganhou espaço à medida que as autoridades brasileiras discutiam uma forma de conter a alta do real ante o dólar.   Mantega reiterou nesta sexta-feira que o governo deverá aumentar sua presença no mercado de câmbio com o fundo. "O fundo nos ajuda a ter uma atuação cambial importante porque esse (superávit) primário adicional poderá ser utilizado para aquisição de dólares."   (com Reuters e Odail Figueiredo, da Agência Estado)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.