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Meirelles repele controle cambial

Presidente do Banco Central diz a parlamentares que não existe sucesso nas experiências de controle do câmbio

Sérgio Gobetti, Fernando Nakagawa e Fábio Graner, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, descartou ontem o uso de medidas heterodoxas de controle da taxa de câmbio, como sugerido por economistas de dentro e fora do governo. "Não existe sucesso nas experiências de controle do câmbio. As tentativas de manipulação feitas pelas autoridades monetárias não têm sido bem-sucedidas", disse Meirelles, durante audiência na Comissão Mista de Orçamento do Congresso, horas depois de o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, ter defendido no Senado uma intervenção mais efetiva do governo para evitar a revalorização do real. Ontem o dólar recuou 0,15%, fechando a R$ 2,015, depois de atingir R$ 1,998 logo depois da abertura do mercado, pela manhã. Veja o desempenho do dólar nos últimos 10 anosFalando em hipóteses sobre o futuro, Meirelles admitiu que o governo poderia restabelecer o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos investimentos estrangeiros em renda fixa e títulos públicos, suspenso em outubro de 2008. Mas acrescentou que o BC não vê ainda essa necessidade, já que a recente entrada de dólares no Brasil não estaria relacionada a um movimento especulativo de investidores interessados em aproveitar a diferença entre a taxa de juro do Brasil e a de outros países. "Os números mostram que, até agora, a entrada de dólares tem sido gerada pela retomada do crédito, aumento do investimento em bolsa e IED (investimento estrangeiro direto)." De fato, as estatísticas das contas externas confirmam que o afluxo de dólares não é puxado pelos investimentos em papéis do governo atrelados à taxa de juros, que está mais alta do que no resto do mundo, mas em queda. Em maio, por exemplo, os ingressos para títulos de renda fixa somam US$ 811 milhões, enquanto os destinados à bolsa e investimentos diretos já chegam a US$ 5 bilhões. Os defensores da intervenção no câmbio não estão preocupados apenas com o controle de capitais especulativos, mas com o efeito da cotação do dólar sobre as exportações. Meirelles mostrou, entretanto, que a recente desvalorização da moeda americana é um fenômeno internacional relacionado à oscilação do preço das commodities e é mais intensa na comparação com o euro do que com o real. Ou seja, o real se valorizou ante o dólar, mas se desvalorizou em relação à moeda europeia, não se justificando a chiadeira dos exportadores. Na equipe econômica, entretanto, o movimento do câmbio é acompanhado com atenção e é possível que o governo reintroduza a cobrança de IOF sobre investimentos estrangeiros. Mas essa tributação tem alcance limitado, já que não atinge as ações, apenas as aplicações de curtíssimo prazo. "O Brasil já usou uma opção, o IOF. Se em algum momento for necessário, é um instrumento que poderia ser utilizado. Não estou dizendo que vamos usar", disse Meirelles, rejeitando a opção de quarentena ou outros controles do câmbio. Ele lembrou que o Brasil já tentou adotar controle nos anos 90 e a Argentina chegou a dolarizar a economia. "E nós tivemos problemas. A maioria dos países já se livrou desses controles."

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