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Meirelles: taxa de juros real atinge mínima histórica de 5,2%

Juros futuros em queda e nas mínimas históricas mostram 'sucesso' da política monetária, diz presidente do BC

Célia Froufe e Fábio Graner, da Agência Estado,

25 de março de 2009 | 15h17

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que a taxa de juros real no Brasil atingiu em março a mínima histórica de 5,2%. Segundo ele, essa taxa é calculada pela taxa de juros de um ano deflacionada pela mediana das expectativas de inflação nos próximos 12 meses. De acordo com Meirelles, os juros futuros em queda e nas mínimas históricas mostram o "sucesso" da política monetária.

 

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"O BC teve sucesso com sua estratégia de sinalizar que há espaço para a queda da Selic, mas que também estava atento à questão dos repasses do câmbio e de outras pressões. Por isso, as expectativas de inflação convergiram para o centro da meta e permitiram, além da própria atividade econômica, que o BC corte a Selic sem causar deterioração nas taxas de mercado", afirmou.

 

Na audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Meirelles destacou que a ação do BC foi bem-sucedida porque conseguiu reverter a trajetória de alta das expectativas de inflação, mostrando que o mercado confia que o BC não deixará a inflação escapar da meta. Meirelles afirmou que é um ganho para o Brasil que o governo possa fazer uma política anticíclica, reduzindo os juros pela primeira vez em muitas décadas durante uma situação adversa.

 

Spread

 

Meirelles foi enfático ao dizer que há espaço para a redução da taxa de spread brasileira. "O spread do Brasil subiu com a crise, mas há espaço para cair, não há dúvida", afirmou, acrescentando que as equipes técnicas do Ministério da Fazenda e do BC estudam o tema no momento. Ele ressaltou a importância da criação de uma cadastro positivo, cujo projeto está em análise no Congresso.

 

Respondendo a uma pergunta dos senadores, Meirelles afirmou que não tem conhecimento de que as transferências de lucro do Banco Central para o Tesouro estejam sendo repassadas ao BNDES para financiar perdas de empresas brasileiras com derivativos. Ele acrescentou, no entanto, que o Tesouro pode fazer um aporte desses recursos no BNDES e informou que cerca de R$ 10 bilhões dos R$ 180 bilhões lucrados pelo BC resultaram de operações com derivativos.

 

Em relação a um questionamento sobre se esse ganho não seria antiético, Meirelles respondeu: "Se perde está errado e se ganha é antiético. Fica sem saída". Segundo Meirelles, o objetivo da autoridade monetária com as operações de derivativos não é ganhar, mas proteger o País.

 

Setor automotivo

 

Segundo o presidente do Banco Central o Brasil deve ser o único, ou estar entre os poucos países, em que a indústria automotiva mostra recuperação após a piora da crise financeira internacional. A afirmação foi com base, segundo Meirelles, em informações que recebeu do exterior.

 

De acordo com dados apresentados por Meirelles, as vendas de veículos apresentaram alta de 8,33% em março ante fevereiro com base nos indicadores dessazonalizados da primeira quinzena fornecidos pela Fenabrave. A produção de veículos que havia atingido um patamar próximo a 100 mil unidades em dezembro, em fevereiro já ultrapassava a marca de 200 mil. Por outro lado, os estoques de veículos que aproximavam-se de 300 mil unidades no final do ano, já caíam pela metade em fevereiro.

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